SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Moro pede ao STF cópia de relatórios da Abin a Flávio Bolsonaro

Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública solicita ainda que diretor da Abin, Alexandre Ramagem, seja novamente ouvido em inquérito que apura suposta interferência de Bolsonaro na Polícia Federal

Sarah Teófilo
postado em 18/12/2020 18:06
 (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press - 24/4/20)
(crédito: Ed Alves/CB/D.A Press - 24/4/20)

A defesa do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro pediu nesta sexta-feira (18/12) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que seja incluído no inquérito que investiga suposta interferência política do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal cópia dos documentos que teriam sido produzidos pela pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em apoio à defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente.

Os advogados de Moro solicitam, ainda, que o diretor da Abin, Alexandre Ramagem, seja ouvido novamente no âmbito do inquérito. “Essas medidas são pertinentes porque o presidente da República é investigado no referido inquérito, justamente, por suspeita de interferência indevida em órgãos de Estado”, afirma o advogado Rodrigo Sánchez Rios. No pedido, a defesa cita reportagens da revista Época que falam sobre relatórios que, segundo o veículo, foram produzidos pela Abin e entregues à defesa de Flávio para ajudá-lo no caso das ‘rachadinhas’. O esquema, pelo qual o sendor foi denunciado pelo Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ), se refere a desvio de salário de funcionários do gabinete quando ele era deputado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Na época em que pediu demissão, Moro afirmou que o presidente tentava trocar o diretor da PF, e o nome escolhido foi o de Ramagem. A sua posse, entretanto, foi barrada pelo ministro Alexandre de Moraes. No pedido, a defesa do ex-juiz federal pontua que em depoimento, à PF, ao ser questionado se mantinha contatos telefônicos com algum dos filhos do presidente, Ramagem disse que “teve alguns contatos de trabalho com o deputado federal Eduardo Bolsonaro, em razão de sua função como Presidente da Creden (Comissão de Relações Exteriores)”.

"Portanto, a junção inusitada das circunstâncias fáticas acima relacionadas, mesmo que se tratem, por ora, apenas de notícias jornalísticas, endossa e reforça a imprescindibilidade de novo depoimento do Dr. Alexandre Ramagem - apontado pela imprensa como possível subscritor ou autor dos mencionados relatórios - bem como a requisição de cópia destes mesmos relatórios alegadamente produzidos pelos agentes de inteligência ou pelo próprio órgão, permitindo a análise de possíveis implicações pertinentes à questão criminal aqui apurada ou, ainda, o esclarecimento dos eventos noticiados", pede a defesa de Moro.

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