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Combate à pandemia e recuperação econômica dominam promessas de prefeitos

Prefeitos tomam posse com discurso de combate à pandemia do novo coronavírus, promessa de vacina e empenho por soluções para recuperar as finanças dos municípios. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes protesta contra "herança perversa" deixada por Crivella

Wesley Oliveira
postado em 02/01/2021 06:00
Um dos tomar posse na sexta-feira, Eduardo Paes prometeu governo de
Um dos tomar posse na sexta-feira, Eduardo Paes prometeu governo de "união" no Rio de Janeiro - (crédito: Renan Olaz/CMRJ)

Em cerimônias esvaziadas e com medidas de distanciamento, os mais de cinco mil prefeitos eleitos e reeleitos tomaram posse, ontem. Ao menos nas 26 capitais, os novos mandatários tiveram como foco discursos voltados para a retomada do crescimento no pós-pandemia e solução de problemas específicos da cidade.

No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM) tentou dar um ar de renovação para o mandato, mesmo chegando para comandar a cidade pela terceira vez. Na cerimônia, não houve a tradicional passagem da “faixa de prefeito”, já que o antecessor, Marcelo Crivella (Republicanos), cumpre prisão domiciliar (leia mais abaixo).

Em seu discurso, Paes afirmou que recebe a capital fluminense com uma “herança perversa”, mas prometeu fazer um governo de “união”. “Nunca na história da cidade do Rio de Janeiro um prefeito recebeu de seu antecessor uma herança tão perversa. Servidores esperando pagamentos que não vêm, 15 folhas de salários para o próximo ano e um desafio fiscal colossal, que alcança a marca de R$ 10 bilhões. Esse é o cenário desastroso das finanças da Prefeitura, mas não desastroso o suficiente para nos abater”, enfatizou.

Segundo Paes, a cidade “exige de nós, pressa” e citou um conjunto de medidas publicadas no Diário Oficial, por meio de cerca de 70 decretos que visam a recuperação econômica e dos sistemas de transporte, saúde e educação. Para os próximos dias, o prefeito prometeu anunciar uma série de ações de combate ao novo coronavírus.

Correligionário do governador João Doria, o prefeito reeleito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), usou o discurso para criticar, de forma indireta, o presidente Jair Bolsonaro. O tucano aproveitou para assegurar que os governos paulistas estão aptos a vacinar sua população contra a covid-19. “Os vírus do ódio e da intolerância precisam ser banidos da sociedade. A política não é para lacradores de redes sociais. O negacionismo está com os dias contados, e, no caso da pandemia, o único inimigo é o vírus”, ressaltou.

Covas é reconduzido sob fortes críticas por ter sancionado lei que aumenta o próprio salário em 46% e reajusta os vencimentos do vice e de todo o secretariado. Além disso, o aumento foi aprovado logo após ele e Doria extinguirem gratuidade no transporte público para idosos entre 60 e 64 anos.

Já em Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), reeleito ainda no primeiro turno das eleições, tomou posse afirmando que todos estão no mesmo barco no enfrentamento à pandemia. Além disso, o prefeito ressaltou que a capital mineira seguirá sendo aberta a todos. “Esta cidade é plural. Uma cidade de LGBTs, cristãos, evangélicos, negros, brancos e assim continuará sendo neste segundo mandato”, frisou.

Igualdade de gênero

Mais jovem a tomar posse como prefeito de capitais, João Campos (PSB), 27 anos, assumiu a administração do Recife com a meta de manter vivo o legado da família no reduto pernambucano. Ele é filho do ex-governador Eduardo Campos e bisneto do ex-governador Miguel Arraes.

Campos anunciou que vai cumprir promessa de campanha e terá um secretariado com igualdade de gênero: das 18 secretarias da capital, nove terão lideranças femininas. Em relação à pandemia, ele disse que a cidade terá imunizante contra a covid-19, independentemente do Ministério da Saúde. No discurso, ele ainda se declarou à namorada, a deputada Tábata Amaral (PDT).

Única capital governada por um político do PSol, Belém empossou Edmilson Rodrigues. Essa é a terceira vez dele no comando do município. Nas outras duas, era filiado ao PT. Agora, o prefeito prometeu solucionar os problemas pontuais, como os recorrentes casos de alagamento, e dar uma nova saída para o controle da pandemia.

Esquema de corrupção

Marcelo Crivella é acusado de ter liderado um esquema ilegal na Prefeitura do Rio de Janeiro, chamado de “QG da Propina”. De acordo com o Ministério Público, empresários faziam pagamentos aos envolvidos no esquema, em troca de vantagens em contratos da prefeitura ou de verbas públicas. Crivella chegou a ser preso preventivamente, em 22 de dezembro, mas, horas depois, o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), modificou a decisão para prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica.

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