Sucessão no Legislativo

Bolsonaro reclama e pede apoio da bancada ruralista para eleger Lira na Câmara

Presidente diz que não pode ter mais dois anos de governo pela frente com a esquerda fazendo a pauta do Congresso e que Rodrigo Mais deixou caducar medidas importantes para o setor. "Eleição da Câmara não pode ser coração, tem que ser razão", destacou.

Ingrid Soares
postado em 11/01/2021 16:57 / atualizado em 11/01/2021 17:03
 (crédito: Sérgio Lima/AFP)
(crédito: Sérgio Lima/AFP)

O presidente Jair Bolsonaro pediu, nesta segunda-feira (11/01), que a bancada ruralista apoie seu candidato, Arthur Lira, na corrida à presidência da Câmara. Ainda ontem, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Alceu Moreira (MDB-RS), declarou apoio ao deputado Baleia Rossi (MDB-SP) . Baleia é apoiado pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Segundo o chefe do Executivo, o campo “nunca teve um tratamento tão justo e honesto” como em seu governo. Falando a apoiadores na saída do Palácio da alvorada, ele reclamou, no entanto, que parlamentares do setor tem demonstrado apoio ao candidato da oposição ao governo e apontou que seu mandato “não pode ter mais dois anos pela frente com a esquerda fazendo a pauta”. Ele também culpou Rodrigo Maia pela caducidade da MP dos balancetes.

“Alguns parlamentares do campo, invés de apoiar o nosso candidato, estão apoiando outro candidato. Não entendo. Eu não tenho imunidade. Eu não comando o Brasil sozinho. Tem o Legislativo, que é o responsável por leis, por emenda à Constituição. Nós não podemos ter mais dois anos pela frente com a esquerda fazendo a pauta. No lado de lá está o PT, o PCdoB, o Psol, que atrapalharam a gente dois anos. Fizeram as pautas, que não deixaram a gente votar, por exemplo, medidas provisórias como a dos balancetes”, apontou.

Bolsonaro ainda pediu razoabilidade dos parlamentares do setor agropecuário. “Precisa publicar balancete em jornal de papel? Não pode ser nas mídias virtuais? Por que o Rodrigo Maia deixou caducar isso aí? Para atender à Globo em mais de R$ 1 bi por ano. Então, pelo amor de Deus. O que que eu fiz para o campo? O campo está bombando. Todo esse pessoal do campo tem que estar comigo, . Esse é o mínimo de razoabilidade que eu peço para eles. Para a gente poder levar nossas pautas para frente”, destacou.

O presidente destacou que tem ajudado a área, sem adotar o que chamou de “agenda xiita”.
“Se eu fizesse a agenda ambiental xiita de outros governos, o agronegócio estava no fundo do poço. O mínimo que eu peço para os parlamentares do campo, que eu tenho profunda admiração e apreço por eles, é que votem no nosso candidato para a Mesa (da Câmara) para a gente não deixar mais caducar medidas provisórias”, pediu.

Bolsonaro também colocou na conta de Maia a validade da MP da regularização fundiária. “Caducou o projeto de lei da reforma do campo que era para a gente estar legalizando aqui a regularização fundiária, deixou caducar. Matou o campo. Nós podíamos ter todo o campo legalizado, onde o homem pudesse fazer seus negócios, seus empréstimos. E não pude fazer, porque o presidente da Câmara deixou caducar. E agora vejo o pessoal do agronegócio, alguns poucos lógico, né?, apoiando um candidato que está do lado da esquerda”, disse, descontente.

Por fim, o presidente disse que pessoalmente gosta de Baleia Rossi, mas destacou que ele está coligado com o PT e outros partidos de esquerda.

“Nada, pessoalmente, contra o candidato do outro lado. Pessoalmente, gosto dele. Agora, ele está junto a PT, PCdoB e PSol. Não precisa falar mais nada. Pessoalmente, nada contra ele, mas mas a gente fica preocupado (…) que a esquerda quer também uma reforma sindical, a volta do imposto sindical, para continuar infernizando quem produz no Brasil”. E completou: "Eleição da Câmara não pode ser coração, tem que ser razão", concluiu.

 

 

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