CB.Poder

"Presidente da Câmara deve ser imparcial", diz Fábio Ramalho

Candidato à presidência da Câmara dos Deputados que corre por fora teceu críticas ao funcionamento atual da Casa e defendeu empoderamento dos parlamentares em entrevista ao Correio

Edis Henrique Peres*
postado em 13/01/2021 17:29 / atualizado em 13/01/2021 17:31
 (crédito: Correio Braziliense)
(crédito: Correio Braziliense)

Candidato avulso à presidência da Câmara dos Deputados, Fábio Ramalho (MDB/MG), disse que o cargo exige representante imparcial que siga a Constituição e o Regimento. Ramalho também criticou a falta de representatividade dos parlamentares. “A maioria dos deputados é tratada com discriminação, como se houvesse baixo e alto clero, quando na verdade todos são iguais, eleitos pelo povo para representá-los. E, com essa divisão, as decisões ficam nas mãos de poucos”, opinou.

Ramalho pontuou que um dos seus objetivos, caso eleito presidente da Câmara, é dar maior autonomia para os parlamentares e fortalecer o diálogo entre integrantes da Casa. “Muitas pautas são acordadas entre o presidente da Câmara com o governador e isso pode desempoderar o parlamentar. É necessário que essas pautas sejam atendidas em um movimento conjunto, os governadores e a bancada daquele estado. É isso que eu farei se for eleito”.

A entrevista com o candidato aconteceu na edição do CB.Poder desta quarta-feira (13/1) — uma parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília. O deputado também garantiu que teria a quantidade de votos suficientes para chegar ao 2° turno da disputa. “No 2° turno, eu serei um candidato imbatível, vou vencer a eleição e fazer da Câmara um lugar que vai respeitar os parlamentares e empoderá-los. É justamente por isso que o voto é secreto, para permitir aos parlamentares votarem em quem confiam sem riscos de possíveis retaliações”.

Ramalho relembrou a disputa de 2017, quando concorreu com Osmar Serraglio (PMDB-PR) e Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), e foi eleito vice-presidente da Câmara. “Nesta eleição ninguém falava o meu nome, quem ganharia seria ou o Lúcio ou o Osmar. Mas eu era o candidato que tinha a amizade e simpatia da maioria dos parlamentares. E posso afirmar que ninguém que votou em mim ficou arrependido. Toda vez que me procuraram, meu gabinete estava de portas abertas”.

O candidato à presidência da Câmara revelou que todos os dias tenta conquistar votos. “Tenho conversado com cada parlamentar, dialogado, e todos os dias vou atrás de votos. É isso que vou fazer nesses últimos dias até a eleição em fevereiro”.

Crítica ao Congresso

Além de falar sobre seus projetos para a Câmara, Ramalho criticou a ausência de comissões na Casa no ano de 2020. “No ano passado não tivemos a instalação de nenhuma Comissão Permanente e isso não foi devido à pandemia, pois a Câmara funcionou virtualmente nesse período. Dessa mesma forma, as comissões deveriam ter funcionado”.

Ramalho ressaltou que as comissões são importantes para os parlamentares discutirem os problemas e as propostas em tramitação. Ele também disse que bons integrantes da Casa são mal aproveitados, e criticou o método no qual algumas comissões são criadas. “Quando vamos criar uma Comissão do SUS (Sistema Único de Saúde), por exemplo, no lugar de colocarem médicos que trabalham no SUS, eles colocam advogados porque aquela determinada pessoa tem mais afinidade com alguém lá de dentro. Isso é errado”.

Reformas

O deputado de MG defendeu que é importante harmonizar os poderes e resgatar a confiança da população. Ramalho disse que reforma tributária e resolução do auxílio emergencial são decisões urgentes a serem tomadas na Câmara. “Precisamos da reforma para que possamos dar a quem produz uma maneira de produzir mais, com custos mais baixos e impostos mais justos. E além disso, tem o auxílio emergencial, que, na verdade, é um auxílio comida”.

Em uma situação de pandemia, destacou, "não existe teto de gastos. O Estado tem que ajudar as pessoas nesse momento de grande dificuldade". Ramalho também discordou sobre falta de dinheiro para prorrogar o auxílio emergencial. "Dinheiro, quando se quer, arruma. A economia tem que saber que os recursos têm que ser arrumados de qualquer maneira. Vai deixar as pessoas morrerem de fome? Dessa forma corremos risco de saques em supermercados e à propriedades”, finalizou.

*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro

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