Obituário

Maguito Vilela, 71 anos, político

Depois de 84 dias de internação, o prefeito de Goiânia foi vencido pelas complicações resultantes da infecção pela covid-19

Renato Souza
postado em 13/01/2021 23:01

Depois de 84 dias de internação, passar parte da campanha eleitoral em um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e ter seu nome escolhido por 277 mil eleitores para governar Goiânia, Maguito Vilela (MDB) morreu na madrugada de ontem em decorrência de complicações da covid-19, aos 71 anos. Com uma longa trajetória política em Goiás e no Congresso, a perda do prefeito que estava licenciado para cuidar da saúde gerou comoção entre autoridades, amigos e eleitores. Ele deixa quatro filhos e uma enteada: Vanessa, Daniel, Maria Beatriz, Miguel e Anna Liz.

Maguito estava internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, desde outubro do ano passado, 48 horas após testar positivo para o novo coronavírus. Mas, em poucos dias, os médicos que o atendiam constaram que estava com 75% do pulmão comprometido. Em 24 de novembro, Maguito foi submetido a uma traqueostomia — que consiste passar uma sonda pela traqueia, a fim de auxiliar na respiração. Nove dias depois, em 3 de dezembro, ele testou negativo para a covid-19, mas precisou continuar internado por causa do procedimento e das consequências trazidas pela doença.

Pelas redes sociais, o filho de Maguito, Daniel Vilela, prestou homenagem ao pai. “Hoje, infelizmente, o meu melhor amigo partiu. O meu impecável pai, Maguito, o maior exemplo e minha maior referência. Não consigo não ser egoísta neste momento. Queria ele ainda por muitos anos com a gente. Nessas horas, ficamos pensando se poderia ter sido diferente…”, escreveu.

A família realizou o translado do corpo de São Paulo para Jataí, cidade onde o político nasceu. A mulher de Maguito, Flávia, emocionada, falou sobre a perda. “Imagine que você está à beira-mar e vê um navio partindo. Fica olhando enquanto ele vai se afastando, cada vez mais longe. Até que, finalmente, aparece apenas um ponto no horizonte. Lá o mar e o céu se encontram. E você diz: ‘pronto, ele se foi’. Foi aonde? Foi a um lugar que a sua visão não alcança, só isso. Ele continua tão grande, tão bonito e tão imponente como era quando estava perto de você”, disse ela, também por uma rede social.

Ao Correio, o médico de Maguito, Leonardo Reis, disse. “Sempre foi muito respeitado, equilibrado, diplomático e não entrou em atrito com ninguém. Ganhando ou perdendo, ele sempre manteve uma postura digna, de serenidade”, disse.

Medo do coronavírus
De acordo com Leonardo, mesmo antes da campanha, Maguito tomava medidas para evitar contato com o vírus e temia adoecer pela covid-19. “Ele sempre foi muito amigo, sempre lembrava do aniversário de todos. Gostava de jogar futebol, estava sempre marcando um jogo. Sempre foi atleta e cuidou da saúde. Ela tinha uma preocupação extra. Chegou e me falar que estava na fazenda, não estava saindo. Na campanha, ele usava máscara o tempo todo. Até cheguei a falar para ele comprar do modelo N95, não o modelo cirúrgico. Ele mantinha distanciamento, mas, durante a campanha, é difícil, pois as pessoas querem se aproximar. E num desses contatos ele foi infectado”, completou.

Advogado por formação, Maguito foi vereador, deputado estadual, deputado federal, vice-governador, governador, senador, vice-presidente do Banco do Brasil, prefeito de Aparecida de Goiânia por duas vezes e estava licenciado desde que tomou posse, no dia 1º. Ele chegou a ser informado de que venceu a eleição, demonstrou alegria. Acompanhou, de longe, a nomeação do secretariado e chegou a dar instruções. Com a morte, Rogério Cruz (Republicanos) assume a Prefeitura de Goiânia.

Políticos rendem homenagens
Ronado Caiado, governador de Goiás
“Maguito realçou a prática da boa política. Ganhou e perdeu sempre com dignidade e em respeito às regras democráticas. Foi abatido por esse terrível vírus que vem causando um vazio em famílias em todo o mundo. E, agora, essa doença, que tirou a vida de mais de 7 mil goianos, entristece mais uma”.

Hamilton Mourão, vice-presidente da República
“O prefeito estava há dois meses nessa luta. Eu conhecia o Maguito, ele foi soldado do Batalhão da Guarda Presidencial no final da década de 60. Era uma liderança expressiva aqui no estado de Goiás e também de nível nacional era muito conhecido. Eu lamento profundamente o falecimento dele”.

Vanderlan Cardoso, senador (PSD-GO)
“Goiás e o Brasil perdem um grande político e nós perdemos um grande amigo”.

Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados
“Dia triste pela partida precoce do amigo Maguito Vilela. Um dos líderes mais experientes que já tive a chance de conhecer”.

Marconi Perillo, ex-governador de Goiás
“Afável, respeitoso, conciliador, amante do diálogo e permanente defensor da união da classe política. Maguito Vilela foi um opositor leal e um excelente parceiro na gestão pública”.

Fernando Collor, senador (Pros-AL)
“Ao longo dos 45 anos de vida pública, Maguito não mediu esforços para trabalhar em prol do povo de Goiás. Que Deus o receba”.

Roberto Requião, ex-senador
“Faleceu meu amigo Maguito Vilela. A política séria sente sua perda e nós alertamos para redobrar os cuidados com coronavírus”.

Baleia Rossi, deputado (MDB-SP)
“Ele deixou um legado de boas práticas, de democracia. Meus sentimentos mais sinceros, não só ao Daniel Vilela, mas a todos os familiares, amigos e a todos de Goiânia”.

Artur Lira, deputado (PP-AL)
“Recebo com tristeza e pesar o falecimento do prefeito Maguito Vilela, que teve uma trajetória política importante. Um abraço em seu filho, meu amigo e colega Daniel Vilela, que assumiu bravamente a campanha do pai em um momento tão difícil”.

Ciro Gomes, ex-senador
“Triste com a partida desse grande brasileiro. Mais uma vítima da covid-19. Sua história de luta pelo Brasil e, principalmente, pelo Centro-Oeste do país é inspiradora”.

Nota do Senado assinada pelo presidente, Davi Alcolumbre (DEM):
“Foram 45 anos de vida pública. Quase meio século de serviços prestados. Um grande brasileiro. Uma grande perda. Meus sinceros sentimentos à família, aos amigos, aos goianos e aos admiradores de Maguito por todo o Brasil”.

 

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