Eleições na Câmara

Deputados se queixam de votação presencial para presidência da Câmara

Psolista Ivan Valente, de 74 anos, afirmou que governistas desrespeitam a vida em nome de conchavos políticos e fisiologismos. Fala aconteceu no lançamento oficial da candidatura de Luiza Erundina à presidência da Casa

Luiz Calcagno
postado em 18/01/2021 18:31 / atualizado em 18/01/2021 18:31
 (crédito: Antonio Augusto/Agencia Camara)
(crédito: Antonio Augusto/Agencia Camara)

O deputado Ivan Valente (PSol-RJ), de 74 anos, se queixou da decisão da Mesa Diretora da Câmara de não liberar parlamentares idosos ou com comorbidades de fazerem a votação presencial nas eleições para a presidência da Casa. O pleito ocorrerá em 1º de fevereiro. O parlamentar falou durante o lançamento oficial da candidatura da colega de legenda de Luiza Erundina (SP) na disputa pelo comando da Casa, na tarde desta segunda-feira (18/1), e lembrou que Erundina também é idosa — a deputada tem 86 anos.

Valente afirmou que a exigência de voto presencial atende uma necessidade do governo de fazer fisiologismo com parlamentares do Centrão e, que se quisesse, poderia entrar com um mandado de segurança para reverter a votação que decidiu pela presença dos parlamentares na Casa em 1º de fevereiro. De acordo com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também contrário à votação presencial em caso de idosos e parlamentares com comorbidade, a expectativa é que até 3 mil pessoas circulem pelo Congresso no dia.

“A Mesa da Câmara decidiu que a eleição será presencial, necessariamente presencial. A Luiza Erundina tem a idade que ela tem, eu também. A gente podia entrar com um mandado de segurança em nome da vida e derrubar isso. Isso é uma maneira de o governo fazer fisiologia e clientelismo em troca de votos ao vivo, em Brasília. Isso é mais corrupção. Governo corrompendo deputados. Mas, vamos. A pé ou de carro. Vamos nos preservar, mas estaremos em Brasília, cara a cara com eles. Temos que ver o que é principal”, destacou.

Em coletiva de imprensa, também nesta segunda, Maia afirmou que a decisão da Mesa foi democrática e tem que ser respeitada, mas criticou o posicionamento da maioria. “Se você cruzar o número de deputados que estão no grupo de risco, não é tão grande. A maior parte já teve o vírus. Mas temos que mobilizar mais de 2 mil funcionários da administração direta e indireta, e a imprensa. Então, tem uma circulação mínima de 3 mil pessoas no dia da votação”, argumentou.

Lançamento oficial

Já era sabido desde sexta que O PSol lançaria Luiza Erundina para a presidência, mas essa foi a primeira vez que a deputada falou oficialmente sobre a candidatura. Participaram do lançamento, além de Erundina e Valente, os deputados Taliria Petroni (RJ), Sâmia Bonfim (SP), Glauber Braga (RJ) e Áurea Carolina (MG).

Os parlamentares destacaram a necessidade do impeachment do presidente da República, Jair Bolsonaro, falaram pela volta do auxílio emergencial, defenderam uma Câmara mais aberta à sociedade, com pautas voltadas para a necessidade da população, e lembraram que, se eleita, Erundina será a primeira mulher a presidir a Casa na história do parlamento brasileiro. Erundina, por sua vez, começou a fala se solidarizando com as vítimas do novo coronavírus.

“Movida por um sentimento de profunda indignação, quero manifestar minha solidariedade às vítimas da pandemia e seus parentes. São mais de 200 mil vítimas da covid e de um governo genocida, que minimizou a crise sanitária e não tomou as medidas necessárias em 2020 para essa pandemia, que já acontecia em todos os outros países do mundo e chegaria ao Brasil.

A candidata destacou que a candidatura é do partido, e lamentou não ter havido uma frente democrática de esquerda para fazer frente às eleições da Câmara. Os partidos da oposição se uniram em torno da candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP), que se colocou como favorito em oposição ao líder do Centrão, Arthur Lira (PP-AL), candidato de Bolsonaro. O próprio PSol, que tem 10 parlamentares, rachou com cinco parlamentares a favor de Baleia e cinco por uma candidatura própria. A Executiva do partido desempatou a briga em favor da disputa das eleições.

Contra Bolsonaro

A esse respeito, Glauber Braga afirmou que a eleição terá segundo turno e que é necessário que, no primeiro, os partidos apresentem uma proposta de gestão, e que, no caso do PSol e, também, do Novo, foram divulgadas em forma de manifestos. O socialista destacou a necessidade de a oposição apresentar seu candidato (Erundina), mas garantiu, também, que nenhum dos parlamentares do partido votará no candidato de Bolsonaro.

“É uma eleição de dois turnos, com necessidade de afirmação de programa político no primeiro turno. Time que não joga não tem torcida. No segundo turno, reduzimos danos. Mas, no primeiro, apresenta o programa. Só há eleição definida com 257 votos. A bancada do PSol não vai dar nenhum voto em nenhum turno para a campanha bolsonarista. Fica o nosso compromisso de fazer um combate frontal ao bolsonarismo. Não vamos justificar ou acolher quem faz candidatura contra Bolsonaro.

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