CORONAVÍRUS

Farmacêutica chinesa diz que Coronavac foi desacreditada por questão política

Sinovac, responsável por desenvolver uma das vacinas aplicadas no Brasil, emitiu uma nota criticando postura de "alguns países ocidentais" por "interesses estratégicos"

Sarah Teófilo
postado em 30/01/2021 20:48 / atualizado em 31/01/2021 00:10

A farmacêutica chinesa Sinovac, responsável pelo desenvolvimento de uma das vacinas aplicadas no Brasil, a Coronavac, divulgou, neste sábado (30/1), uma nota dizendo que o imunizante foi desacreditado por alguns países ocidentais por uma questão política e "interesses estratégicos". Na nota, a empresa diz que a luta contra a pandemia "entrou em um estágio decisivo, onde as vacinas tornaram-se um fator chave para conter a disseminação do vírus e salvar vidas".

Em seguida, no texto, a Sinovac frisou que a China foi o primeiro país a desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus, "tendo a segurança e eficácia do imunizante sendo amplamente reconhecida por vários países ao redor do mundo".

"Em total contraste com os fatos, o desenvolvimento, teste e vacinação utilizando o imunizante chinês foram, desde o início do enfrentamento global à pandemia, deliberadamente desacreditados por alguns países ocidentais devido ao viés político, manipulação da opinião pública e interesses estratégicos, resultando em deliberada desinformação e prejuízo aos cidadãos do mundo", pontuou.

Na nota, a Sinovac criticou os Estados Unidos, dizendo que enquanto ela e a China querem tornar a vacina "um bem público", esta mesma "postura que não é adotada por outras nações com
interesses protecionistas e pouco colaborativas em um momento que deveria ser de união mundial". Em seguida, citou os EUA.

"Viemos a público alertar aos países latino-americanos que estejam cientesdo fato de que a China compartilha vacinas com o resto do mundo e que,até o momento, não encontrou nenhum incidente de segurança. Emcontraste, os EUA implementaram uma política que prioriza as vacinas dosEUA para proteger apenas o povo americano. Tanto o ex-presidente [Donald] Trump, que deixou o cargo recentemente, quanto o agora presidente [Joe] Biden, mantiveram essa posição."

Crítica a outras vacinas

Ao ressaltar a segurança do imunizante, afirmando que não foi comprovado nenhum incidente de segurança ou óbito em nenhum país em que a vacina é aplicada, a empresa atacou outros imunizantes. Sem citar nomes de empresas, tampouco dados e fatos adicionais, a empresa falou apenas que foram registrados seis casos de reações adversas graves na França e "vários casos de alergias graves nos EUA".

No caso da França, a agência de Saúde francesa informou no dia 21 de janeiro que desde o início da vacinação, foram registrados seis casos de efeito adverso grave, sendo que em quatro envolvia reação alérgica e em outros dois, taquicardia. 

Já em relação aos EUA, não são "vários casos", mas sim seis pessoas que tiveram uma reação alérgica após receberam vacinas da Pfizer. Os casos estão sendo investigados pelo Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Em ambos os países, são utilizados os imunizantes da Pfizer, com eficácia de 95%, e mais recentemente a Moderna, cuja eficácia é de 94%. Estudos da Coronavac no Brasil apontaram eficácia de 50,4%. 

A empresa ainda fala em "casos reais de efeitos colaterais graves com outras vacinas", relatando 23
mortes na Noruega. A relação entre as mortes e imunizante contra covid-19, entretanto, não procede, conforme informou a diretora do Instituto Norueguês de Saúde Pública no último dia 18. Na ocasião, ela afirmou que "não é certo que isso represente qualquer excesso de mortalidade ou que haja uma conexão causal" com a vacina.

A Sinovac disse, ainda, na nota, que a China "tem mantido uma mente aberta quanto à cooperação internacional relacionada a vacinas". "O desenvolvimento e a distribuição da vacina contra o coronavírus não podem ser uma competição entre países ou empresas, mas sim uma batalha com toda a humanidade lutando em conjunto contra o vírus. (...) Somente com uma distribuição justa das vacinas e esforço coletivo global venceremos o coronavírus. Quando todas as pessoas em grupos de risco forem imunizadas o mundo poderá retomar a segurança", afirma.

Após a publicação da matéria, autoridades chinesas e aPharos Consultores - que mais cedo divulgou nota que seria da Sinovac, fabricante da vacina CoronaVac,informaram que as críticas sobre eventual protecionismo dos Estados Unidos em relação aos imunizantes contra a covid-19 não foram autorizadas.

A Pharos, que distribuiu a informação a partir de uma assessoria de imprensa baseada em Brasília afirma ter sido vítima de um golpe. O texto fazia a defesa da China como distribuidora de vacinas, afirmando que o país compartilhou a CoronaVac, que não apresentou falhas, enquanto outras vacinas teriam resultado em efeitos colaterais nos resultados.

A Pharos afirma que foi contratada por um cidadão chinês que se identificou como representante da Sinovac. Mas ele teria apresentado documentos falsos.

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