CONGRESSO

No comando do Senado, Pacheco defende urgência de reformas

Eleito presidente do Senado, parlamentar prega celeridade nas matérias econômicas. Triunfo favorece projetos do governo e blindagem a Bolsonaro

Jorge Vasconcellos
Augusto Fernandes
postado em 02/02/2021 06:00
 (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
(crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

A eleição de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) à Presidência do Senado representa uma importante vitória política para o presidente Jair Bolsonaro, que se empenhou na campanha do parlamentar, em um momento de forte pressão sobre o governo. Também fortalece-se o agora ex-mandatário da Casa Davi Alcolumbre (DEM-AP), principal cabo eleitoral do político mineiro e que deve continuar com influência no Congresso.

Na votação secreta, ontem, Pacheco derrotou a candidata independente Simone Tebet (MDB-MS). Ele venceu a disputa em primeiro turno, com 57 votos — bem acima do mínimo de 41, que equivale à metade mais um dos 81 senadores. Tebet recebeu 21.

À imprensa, Pacheco anunciou que dará prioridade à votação de matérias importantes para a recuperação econômica do país. Ele citou as reformas tributária e administrativa e três propostas de emenda à Constituição (PECs) — a emergencial, a da revisão dos fundos públicos e a do pacto federativo. Segundo o senador, a atuação legislativa da gestão dele será focada no “trinômio saúde pública, desenvolvimento social e crescimento econômico do país”.

O resultado da eleição, além de favorecer a tramitação de projetos de interesse do Executivo, deve reforçar a blindagem de Bolsonaro no Congresso, no momento em que já passam de 60 os pedidos de impeachment protocolados contra ele na Câmara, a maioria relacionada à atuação na pandemia.

A vitória de Pacheco é importante, ainda, para o chefe do Planalto decidir sobre o partido ao qual vai se filiar para concorrer à reeleição em 2022. Ele anunciou que tomará essa decisão em março. Além disso, as novas composições das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado vão orientar a reforma ministerial que Bolsonaro pretende fazer para acomodar os aliados.

Participaram da eleição 78 senadores. Jaques Wagner (PT-BA) e Jarbas Vasconcellos (MDB-PE) não compareceram por motivos de saúde. Por sua vez, Chico Rodrigues não votou porque pediu licença do mandado, depois de ser flagrado pela Polícia Federal com dinheiro na cueca.

Com o resultado da eleição, Pacheco colheu os frutos de uma articulação que conseguiu atrair o aval não só de senadores governistas, mas, também, de oposição, de partidos como PT, PDT e Rede. Ao longo da campanha, o parlamentar assegurou aos apoiadores que, embora contando com respaldo do Planalto, estava comprometido com a independência do Senado.

Pesou também a favor de Pacheco o fato de ele demonstrar um perfil considerado garantista, com atuação, inclusive, na diretoria da Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG). Isso agradou aos parlamentares que consideram abusivo o modo de atuação da Lava-Jato e de outras operações anticorrupção.

Na semana passada, a vitória de Pacheco passou a ser dada como certa depois que a bancada do MDB desistiu de concorrer à eleição com Tebet, em favor de um acordo com Alcolumbre. A campanha emedebista era a única que representava algum tipo de ameaça à do postulante do DEM. Tebet, após a decisão dos colegas de partido, resolveu lançar candidatura independente, porém, sem a mesma força de antes.

Ontem, houve outras três desistências de candidatos, horas antes do início da eleição. Decidiram abandonar a disputa Jorge Kajuru (Cidadania-GO), Major Olímpio (PSL-SP) e Lasier Martins (Podemos-RS). Este último, ao discursar da tribuna, protestou contra a interferência do Planalto nas eleições internas do Congresso.

 Com a palavra, o senador

Veja o que disse o novo presidente do Senado

“Ao Poder Executivo, dedicaremos parte significativa de nossos vigores, fiscalizando, deliberando suas proposições, dialogando para construir o futuro da nação. Porém, exigiremos respeito aos compromissos assumidos e à independência deste Poder Legislativo”


“Há uma camada social de pobreza, de pessoas vulneráveis, necessitadas, que precisam ser assistidas pelo Estado brasileiro, de modo que me comprometo, desde agora, a um trato com o Poder Executivo, a equipe econômica do governo federal para encontrarmos caminhos possíveis de responsabilidade fiscal, de observância do teto de gastos, mas sem deixar de assistir aquelas pessoas que precisam”


“Esse crescimento (econômico) virá com a pauta das reformas necessárias para o Brasil. A tributária, que já tem ambiente de discussão na Câmara e no Senado, e que discute uma nova forma de arrecadação tributária no Brasil. A reforma administrativa, do mesmo modo corrigindo distensões, mas, jamais, demonizando o serviço público brasileiro, os servidores públicos, que não são problema, mas, na verdade, a solução do Brasil”

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