O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta quinta-feira (4/12), ao lado do presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, que a agência não deve ser pressionada por ninguém. A fala, feita em transmissão ao vivo por suas redes sociais, se dá justamente em meio a pressões sofridas pela Anvisa para flexibilização maior de regras para autorizar o uso emergencial de vacinas contra covid-19 no Brasil.
Nesta quinta-feira, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), disse em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que pressionaria a Anvisa politicamente e ameaçou “enquadrar” a agência reguladora, caso não houvesse uma redução nas exigências para liberação de vacinas. "Agora, uma agência não pode sofrer pressão de quem quer que seja. Eu não interfiro em agência nenhuma. Eu posso é conversar com o pessoal, sem problema nenhum. Assim como ninguém pode, acredito, que pressione a Anvisa", afirmou Bolsonaro.
O recado do presidente ao seu líder de governo continuou. "Da minha parte, ninguém vai me representar na Anvisa. Porque lá mexe com vidas, não é uma coisa que você pode, deu errado, você conserta na frente. Vida você não conserta lá na frente. Então, a Anvisa é uma agência que nós sabemos do histórico dela, tem mais que um nome a zelar, tem vidas a zelar", disse.
A agência vem sofrendo pressão de parlamentares e governadores, em especial em relação à liberação do uso emergencial da vacina Sputnik V. Nesta quinta-feira (4/2), inclusive, o Senado aprovou uma medida provisória (MP) que facilita a aquisição da vacina russa. O texto ampliou "o rol de autoridades sanitárias internacionais cujo registro de vacinas será reconhecido ou aproveitado no Brasil", incluindo a Rússia, Coreia do Sul, Canadá e Argentina.
A medida passou a prever que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concederá em até cinco dias "autorização temporária de uso emergencial para a importação, a distribuição e o uso de qualquer vacina contra a covid-19" aprovada em caráter temporário ou definitivo nesses países, além dos Estados Unidos, União Europeia, Japão, China e Reino Unido, como já era previsto em MP 1.026, editada em janeiro deste ano. Até então, a agência tem 30 dias para a análise.
Em meio a pressões, na última quarta-feira (3/2) a agência excluiu a exigência de realização da fase 3 dos estudos no Brasil para que uma vacina tenha autorização de uso emergencial. A mudança abriu espaço para a Sputnik V, que não tem esta fase no Brasil e solicitava a permissão de uso.
As pressões vinham também do Palácio do Planalto, em meio aos entraves para conseguir importar a matéria-prima da Covishield, conhecida popularmente como a vacina de Oxford/AstraZeneca, o que acabou fortalecendo ainda mais o papel da chinesa Coronavac, que leva o carimbo do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), adversário político de Bolsonaro.
Ao Correio, o presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, negou. "Nem do planalto, nem do vale, nem da montanha, nem da planície, nem de ninguém. Nenhum acidente geográfico nos pressionou", disse.
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