Em 24h, mortes pela covid disparam: 1.910

Números oficiais de óbitos não param de subir. Na medição anterior, Conass já havia apontado um recorde de vidas perdidas para o novo coronavírus: 1.640. Mas, entre terça-feira e ontem, a quantidade de vítimas chegou a um patamar inédito e que confirma o descaso

» Maria Eduarda Cardim » Sarah Teófilo
postado em 03/03/2021 22:41

Pouco mais de um ano depois do surgimento do novo coronavírus, o Brasil vive o pior momento da pandemia, com milhares de mortes sendo registradas. Ontem, o país bateu o recorde de óbitos pela covid-19 em 24 horas, pelo segundo dia consecutivo: 1.910 mortes. O número superou a marca da terça-feira, de 1.641 vítimas fatais da doença. O país já soma aproximadamente 259 mil óbitos e 10,7 milhões de casos e o Ministério da Saúde não comentou a situação, mais uma vez.


Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, o neurocientista Miguel Nicolelis, um dos principais nomes do país na pesquisa científica e reconhecido pela comunidade internacional, disse que “o Brasil é um laboratório ao ar livre para que o vírus prolifere e eventualmente crie mutações mais letais. Isto é sobre o mundo, é global”. Segundo ele, a incapacidade do governo federal em deter a crise sanitária e promover uma campanha de vacinação tornará o atual cenário, que é grave, catastrófico.


“Já passamos das 250 mil mortes e minha expectativa é de que, se nada for feito, podemos perder 500 mil pessoas aqui no Brasil até o próximo mês. É uma perspectiva horrível e trágica, mas, neste momento, é perfeitamente possível”, advertiu.

Opas preocupada

A situação do Brasil, terceiro país do mundo em número de mortes — atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia —, é observada com preocupação por outros países e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ontem, o gerente de Incidentes da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Sylvain Aldighieri, afirmou que o país enfrenta uma segunda onda da pandemia de covid-19 de “amplitude nacional”. “Acho que o Brasil, neste momento, está enfrentando uma segunda onda pandêmica de amplitude nacional, com impacto muito forte nos serviços de saúde”, salientou.


Aldighieri citou que oito países da América do Sul e do Norte relataram, até o momento, a identificação da variante P.1, encontrada pela primeira vez no Amazonas. E destacou que alguns relatórios de autoridades sanitárias do Brasil mostram uma alta transmissão em algumas áreas do Brasil. “Para salvar vidas, controlar a disseminação de variantes do vírus, precisamos ter uma aplicação estrita das medidas de proteção de saúde pública. Isso é chave no contexto atual do Brasil e também em alguns outros países da América do Sul”, explicou.


O representante da Opas salientou que, nos últimos três meses, antes do Natal, a Opas observou uma segunda onda pandêmica que havia começado ao norte da Bacia Amazônica, incluindo o estado do Amazonas. A situação se estendeu a Roraima, Rondônia e Acre, segundo ele.


De acordo com o último boletim do Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado na última terça-feira, 18 estados e o Distrito Federal têm mais de 80% dos leitos de UTI para o tratamento de pacientes com covid-19 ocupados. Apenas oito unidades da Federação não ultrapassaram a taxa de ocupação considerada crítica pelos pesquisadores — Sergipe é o único fora da zona de alerta.

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