Repercussão

Vácuo na troca de ministros gera críticas de governadores e parlamentares

A previsão é que o cardiologista Marcelo Queiroga seja nomeado na quinta-feira (25/3), 10 dias após a indicação. Mesmo assim, data ainda pode sofrer alterações

Bruna Lima
Renato Souza
postado em 22/03/2021 23:39 / atualizado em 22/03/2021 23:41
 (crédito: Reprodução - Instagram)
(crédito: Reprodução - Instagram)

A demora para a troca do ministro da Saúde, em meio às semanas mais trágicas da pandemia da covid-19 no Brasil até o momento, tem levantado duras críticas de gestores, políticos e parlamentares. A expectativa é que o cardiologista Marcelo Queiroga seja oficializado na quinta-feira (25/3), 10 dias após a indicação. Mesmo assim, a data é incerta perante às pendências administrativas que o médico precisa cumprir para substituir o general Eduardo Pazuello.

Enquanto isso, a pasta mais demandada frente à uma crise nacional de saúde fica em stand-by. Durante evento que marcou a entrega de mais um lote da CoronaVac, nesta segunda-feira (22), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), criticou a demora na transição, classificando a situação como sui generis (inédita), no sentido negativo, o que tem estagnado a gestão federal.

"Em meio a uma pandemia, que já levou a vida de mais de 286 mil brasileiros, nós temos dois ministros e, na verdade, não temos nenhum. O que entra não está autorizado a agir como ministro. O outro que sai já não está com disposição de determinar, orientar e comandar porque já é um ex-ministro", disse.

Parlamentares também têm se manifestado em razão da demora. O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL/AM), definiu a situação como "surreal". "No meio da pandemia você vê um ministro demitido que continua no cargo e um ministro que não consegue assumir. É surreal. Não é uma questão de gostar ou não do presidente, é uma questão de responsabilidade com o povo brasileiro", disse, em vídeo, divulgado na noite desta segunda-feira (22).

Queiroga, que é sócio-administrativo de uma clínica, precisa se desvincular da liderança no empreendimento para assumir o cargo público, principal razão legislativa que atrasa a oficialização.

O deputado federal Marcelo Freixo (Psol/RJ) foi além, considerando o imbróglio, bem como os bastidores por trás da transição, como um crime. “É criminoso estarmos há uma semana sem ministro da Saúde porque Bolsonaro está procurando uma boquinha no governo para Pazuello não perder o foro privilegiado quando deixar oficialmente o MS”, disse o deputado federal Marcelo Freixo (Psol/RJ). Nos bastidores, Bolsonaro chegou a articular a criação de um ministério extraordinário, com foco na Amazônia, para deixá-los nas mãos do general, mas voltou atrás e pretende designar um cargo de confiança no poder executivo. “O presidente está mais preocupado em blindar os crimes do amigo do que em salvar vidas”, completou Freixo.

A petista Eika Kokay (DF) definiu como “escárnio” a possibilidade da criação de um ministério da Amazônia neste contexto. “Vai se criar um ministério não para defender a floresta, mas para proteger um criminoso”, opinou. A deputada ainda ressaltou que, além de não ter ministro, no Brasil de “quase 300 mil mortos não temos presidente, leitos der UTI, oxigênio, kit intubação, vacina”.

Judiciário

A demora também incomoda integrantes do Poder Judiciário e do Ministério Público. Na próxima quarta-feira (24), o presidente se reúne com autoridades dos Três Poderes para discutir as ações de combate à pandemia. A intenção é criar um comitê nacional de combate a covid-19.

Entre os convidados está o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux. O magistrado deve dar um recado de que a demora para criar uma estratégia eficaz contra a doença está gerando muitas mortes e prejuízos ao país. Ele deve pedir agilidades nas ações e foco em métodos científicos e concretos.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, o presidente da Câmara, Arthur Lira e do Senado, Rodrigo Pacheco, também devem participar. Depois de mais uma vez negar a importância das medidas de isolamento, e criticar governadores, além de promover aglomerações em frente ao Palácio do Alvorada, Bolsonaro perdeu ainda mais a chance de conquistar apoio no Judiciário e no Legislativo.

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