CORONAVÍRUS

Ao criticar isolamento social, Bolsonaro diz que sua "guerra" não é política

Presidente gravou vídeo ao lado do novo ministro da Defesa, Braga Netto, em uma entidade beneficente do Distrito Federal que faz distribuição de sopa para comunidades carentes

Sarah Teófilo
postado em 03/04/2021 16:04 / atualizado em 03/04/2021 16:05
 (crédito: Reprodução/Instagram)
(crédito: Reprodução/Instagram)

Ao lado do novo ministro da Defesa, general Braga Neto, após demitir o ex-ministro general Fernando Azevedo e os três comandantes das Forças Armadas, o presidente Jair Bolsonaro criticou, neste sábado (3/4), medidas de isolamento social e afirmou que a sua guerra não é política. O presidente estava com o ministro uma entidade beneficente em Itapoã, no Distrito Federal.

"Cada vez mais, com mais desemprego, a política do fecha tudo, fica em casa, mais gente está comendo menos, alguns passando necessidades seríssimas, e nós temos que vencer isso aí. A guerra, da minha parte, não é política. É uma guerra que realmente tem a ver com o futuro de uma nação. Não podemos esquecer a questão do emprego. O vírus o pessoal sabe que nós estamos combatendo com vacinações", disse.

Bolsonaro estava com Braga Netto tomando sopa na Associação Beneficente Cristã Casa de Maria — Beth Myriam, que distribui o alimento para população carente na região. O presidente estava sem máscara, assim como Braga Netto, mas eles estavam comendo no momento do vídeo. Ao lado de uma mulher que atua na associação, o mandatário afirmou que o grupo costumava distribuir 40 sopas por dia, e que durante a pandemia o número passou para 130.

O presidente afirmou que apoia medidas protetivas, mas que "tudo tem limite". "Lá atrás, quando se mandava ficar em casa, em março, era pra achatar a curva até que os hospitais se aparelhassem com leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e respiradores. Passou um ano, bilhões do governo federal foram dispensados para governadores e prefeitos, e parece que alguns deles não aplicaram devidamente esse recurso na Saúde. Aplicaram em outras áreas que são nobres também, mas não a Saúde", disse, sem apresentar provas.

Não é a primeira vez que Bolsonaro diz isso. Na última quinta-feira (1º), afirmou que governadores usaram recursos fornecidos pelo Executivo a ações de enfrentamento à doença para quitar débitos das suas gestões.

Desemprego

Ainda neste sábado, Bolsonaro voltou a dizer que sempre alertou para dois problemas, o vírus e o desemprego, e que está preocupado com ambos. "Lamentamos as mortes", disse, afirmando que a vacinação no país está a pleno vapor. Dados da plataforma Our World in Data, que computa a vacinação em todo o mundo, aponta que o Brasil já aplicou ao menos uma dose em 7,6% da população, estando em 15º lugar no ranking, atrás de países como Israel, que está em primeira posição e já vacinou 60,7% da população, e Chile, que já vacinou 36,3%.

Bolsonaro afirmou que o governo federal adquiriu imunizantes no ano passado, mas que não tinham tantos disponíveis, e que entre o Executivo e as vacinas há a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). É público, entretanto, a demora do governo em adquirir imunizantes contra o coronavírus. Em outubro do ano passado, por exemplo, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello chegou a assinar um memorando de intenção de compra da Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan, mas foi desautorizado pelo presidente.

Na época, ele afirmou que a “vacina chinesa de João Doria (governador de São Paulo)” não seria comprada. Além disso, o contrato com a Pfizer foi fechado só no mês passado. A empresa disse que ofereceu 70 milhões de doses e que a primeira proposta foi enviada ainda em agosto de 2020. O presidente e o ex-ministro afirmavam que havia cláusulas no contrato que impediam a sua assinatura, apesar de a empresa afirmar que as cláusulas estavam "em linha com os acordos fechados em outros países do mundo, inclusive na América Latina". 

Apoio a Braga Netto

A aparição do ministro Braga Netto ao lado de Bolsonaro neste sábado não é em vão. Nesta semana, o presidente criou uma crise sem precedentes com os militares ao demitir o ministro Azevedo e os três comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica ao mesmo tempo. No lugar de Azevedo, colocou o general Braga Netto, que é muito mais próximo de Bolsonaro, com a intenção de ter o apoio político que tanto anseia no âmbito das forças. 

 

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