LOCKDOWN

Bolsonaro volta a criticar lockdown e diz que país está no limite

Presidente afirmou que espera "o povo dar uma sinalização" e que "faz o que o povo quiser que ele faça". Também teceu críticas a ministros do STF como Barroso, Cármen Lúcia e Fachin

Ingrid Soares
postado em 14/04/2021 11:30 / atualizado em 14/04/2021 12:02

O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar, nesta quarta-feira (14/4), a política de lockdown adotada por governadores e prefeitos em meio à pandemia de covid-19, que já vitimou fatalmente mais de 358.425 brasileiros. O chefe do Executivo ressaltou que o Brasil está no limite e que há pedidos para que ele tome providências. O mandatário completou que espera "o povo dar uma sinalização", mas não detalhou qual seria a atitude a ser executada. A declaração foi feita a apoiadores na saída do Palácio da Alvorada.

Citando duas matérias publicadas pelo Correio sobre insegurança alimentar no país, Bolsonaro alegou que a política do "fique em casa" leva à fome e a miséria.

"Vai ter escassez, o que é comum quando tem escassez? O preço sobe, inflação. Vão culpar quem? O Brasil está no limite. Pessoal fala que eu devo tomar providência. Estou aguardando o povo dar uma sinalização. Porque a fome, a miséria, o desemprego, está aí. Só não vê quem não quer. Ou quem não está na rua. Eu sempre tive na rua", justificou.

"As últimas saídas minhas fui em várias comunidades aqui em Brasília, Chaparral, Itapoã, São Sebastião. As pessoas que me autorizavam entrava na casa, pedia para abrir a geladeira delas. Já estive em Ceilândia, Taguatinga também", emendou.

"Olha São Paulo como está. Não justifica o que está sendo feito e continuam fazendo. Deram poderes a prefeitos mais amplos do que eu poderia junto com o parlamento que é o estado de sítio. O artigo 5º deixou de existir para alguns governadores e prefeitos. Isso não é viver numa democracia, numa situação de tranquilidade. Como a (situação) da fome está batendo agora, vai sobrar daqui a pouco consequência desses atos arbitrários", acrescentou.

O presidente comentou ainda que a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao presidente da Corte, Luiz Fux, a marcação do julgamento de uma notícia-crime apresentada contra ele por suspeita de genocídio contra indígenas na pandemia de coronavírus. Ele voltou a jogar a responsabilidade para os líderes estaduais e municipais pelas medidas restritivas.

"Esse pessoal, amigos do STF, daqui a pouco vamos ter uma crise enorme aqui. Eu vi que um ministro baixou lá um processo para me julgar por genocídio. Olha, quem fechou tudo, quem está com a política na mão, não sou eu. Não quero brigar com ninguém, mas estamos na iminência de ter um problema sério no Brasil", declarou.

Barril de pólvora

Bolsonaro comparou o país a um barril de pólvora, declarou não estar ameaçando ninguém, mas relatou que "brevemente teremos um problema sério no Brasil". Ele defendeu também que ainda há tempo de recuar nas medidas e que é só usar um pouco menos a caneta e mais o coração.

"O que que vai nascer disso tudo, onde vamos chegar? Parece que é um barril de pólvora o que está aí. E tem gente de paletó e gravata que não quer enxergar isso daí. Acha que a vida é o serviço dele, em casa ou home office. Paletozinho e gravata com dinheiro na conta no final do mês, sem problema nenhum e o povo que se exploda. Eu não estou ameaçando ninguém, mas estou achando que brevemente teremos um problema sério no Brasil. Dá tempo de mudar ainda, é só parar de usar menos a caneta e um pouco mais o coração", aconselhou.

Bolsonaro ainda teceu críticas ao ministro Edson Fachin, que determinou no ano passado que a equipe da Força Nacional deixasse acampamentos do MST.

"Hoje botei um vídeo de uma senhora do sul da Bahia que estava num assentamento e nós estamos ali ultimando a titularização da terra, daí, há poucos meses, teve conflito. O pessoal do MST passou a destruir casas, bater, dar pancada e nós mandamos a Força Nacional para lá. O que o ministro Fachin fez, atendendo uma solicitação do governador Rui Costa do PT. Mandou a força se retirar de lá. O MST voltou para lá agora agredindo as pessoas. Esse Fachin, esse ministro, foi o mesmo que disse que a PM do Rio de Janeiro, disse não, escreveu, não poderia fazer operações em comunidades e, depois, proibiu também que helicópteros da polícia sobrevoassem a região. Eu não vou complementar aqui, não. Então, o que que está acontecendo, teremos um problemas sério no Brasil", disparou.

Sobre o ministro Luís Roberto Barroso, que determinou a instalação da CPI da Covid no Senado, ele repetiu tratar-se de interferência da Corte. "Quando eu vi, fiquei chateado. Por que fiquei chateado? Por que investigar omissões minhas e não de quem pegou dinheiro na ponta da linha?". "É uma interferência, sim, desse ministro junto Senado para me atingir", criticou, dizendo que isso tem criado animosidade. "Agora, repito, a temperatura está subindo, a população está cada vez em situação mais complicada".

Sobre o autor da proposta, Randolfe Rodrigues, Bolsonaro caracterizou que o mesmo quer é "fazer palanque".

O chefe do Executivo voltou a dizer que caso as medidas de lockdown continuem, poderá faltar dinheiro para o pagamento de servidores públicos. "Alguns querem que eu tome providência já. O pessoal tem que se conscientizar do que está acontecendo. Já conversou com seu vizinho que é a favor do lockdown? Como ele vive? Ele é um servidor publico? Fala para ele que a economia como está indo, pode cair a arrecadação. Pode acontecer isso daí e não vai ter dinheiro para pagar o salário dele também, pô. Ou tu acha que esse salário nunca pode deixar de existir se continuar a economia desta maneira?", questionou.

"Será que o pessoal não consegue entender que esta errado essa politica do feche tudo, do lockdown? Não consegue entender, não tem coração, pô. Só digo uma coisa: eu faço o que o povo quiser que eu faça. Tá ok?", concluiu.

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