Meio ambiente

Vice-presidente da Câmara cobra "ação enérgica" sobre Ricardo Salles

Deputado Marcelo Ramos (PL-AM) diz que acusações contra o ministro do Meio Ambiente feitas pelo superintendente da PF no Amazonas são graves e merecem ser apuradas com rigor pelos órgãos competentes

Jorge Vasconcellos
postado em 15/04/2021 19:23
 (crédito: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
(crédito: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)

O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), cobrou, durante entrevista ao Correio, uma "ação enérgica" do governo em relação ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que é alvo de uma notícia-crime apesentada ao Supremo Tribunal Federal (STF), na quarta-feira (14/4), pelo superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva. O delegado acusa o ministro de integrar uma organização criminosa formada também por empresas madeireiras. Ele será exonerado da chefia da superintendência, conforme anunciou, nesta-quinta-feira (15/4), o Departamento de Polícia Federal (DPF).

O vice-presidente da Câmara também criticou o anúncio da exoneração do delegado. “As denúncias que pesam sobre o Ministro Ricardo Salles, um anti-ministro do Meio Ambiente, são graves e merecem ser apuradas com muito rigor pelos órgãos competentes. Mais trágico ainda é a demissão do chefe da Polícia Federal, demitido por fazer seu trabalho", disse o parlamentar.

Ele acrescentou que, "levando em conta que o ministro tem, até o momento, como legado à frente da pasta, diversas ações de desmonte de órgãos de fiscalização e o esvaziamento de recursos para esse fim, quando abriu mão do Fundo Amazônia, é preciso uma ação enérgica do governo federal".

Defesa de madeireiras

Para Ramos, o resultado da política do ministro se reflete nos maiores indicadores de desmatamento no país desde 2012. "Espero que governo não deixe para agir quando o mundo começar a impor barreiras comerciais aos produtos brasileiros, com a catástrofe instalada”, afirmou o representante do estado do Amazonas.

Na notícia-crime apresentada ao Supremo, o delegado Alexandre Saraiva acusa o ministro, o presidente do Ibama, Eduardo Bim, e o senador Telmário Mota (PROS-RR). Segundo o integrante da Polícia Federal, eles dificultaram a ação fiscalizadora do poder público no meio ambiente ao atuarem na defesa de empresários acusados de extraírem ilegalmente cerca de 200 mil metros cúbicos de madeira, apreendidos pela PF.

"Em razão da magnitude dos resultados, apreensão de madeiras com valor estimado em R$ 129.176.101,60, o setor madeireiro iniciou a formação de parcerias com integrantes do Poder Executivo, podendo-se citar o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles e o parlamentar Telmário Mota (PROS), no intento de causar obstáculos à investigação de crimes ambientais e de buscar patrocínio de interesses privados e ilegítimos perante a Administração Pública", diz trecho do documento enviado pelo delegado ao Supremo.

A reportagem fez contato com a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto, mas ainda não houve retorno sobre o posicionamento do governo.

 

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