PANDEMIA

Preocupado com a CPI da Covid, Bolsonaro conversa com filho de Renan Calheiros

O presidente telefonou para o filho do possível nome a relator da CPI, Renan Calheiros, na terça-feira (20/4). A comissão tem a primeira reunião prevista para terça-feira (27/4)

Pedro Ícaro*
postado em 22/04/2021 20:37 / atualizado em 22/04/2021 20:38
 (crédito: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(crédito: Minervino Junior/CB/D.A Press)

O nome do senador Renan Calheiros (MDB-AL) foi indicado e apoiado pela maioria dos membros da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 para ser o relator. Porém, na terça-feira (20/4), em um gesto ao senador, o presidente Jair Bolsonaro telefonou para o filho do ex-presidente do senado, Renan Filho (MDB), governador de Alagoas.

A conversa consistiu na preocupação do presidente da República com a instalação da CPI. Alguns parlamentares estão resistentes com a indicação do nome do senador Renan Calheiros, como é o caso de Flávio Bolsonaro, que questionou o fato de Renan ter um filho governador.

"Eu mesmo não batalhei para integrar a CPI, porque sou filho do presidente e, óbvio, não teria posição isenta na comissão. É claro que eu iria querer defender o governo. Da mesma forma, Renan e Jader (Barbalho) vão olhar para os estados deles e, caso haja suspeita de irregularidades, como atuariam?", questionou o senador em entrevista ao jornal O Globo.

Outra parlamentar que é contra a nomeação de Renan Calheiros é a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), que anunciou, pelo Twitter, que entrou com uma ação na justiça federal do Distrito Federal para impedir que o senador assuma a relatoria.

"Acabamos de ingressar com ação na Justiça para barrar @renancalheiros na relatoria da CPI. A presença de alguém com 43 processos e 6 inquéritos no STF evidentemente fere o princípio da moralidade administrativa. Outros parlamentares também ingressarão com ações", escreveu a deputada Carla Zambelli em sua conta no Twitter.

Início dos trabalhos da CPI

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 iniciará seus trabalhos na próxima terça-feira (27), com uma reunião restrita para eleger o presidente e vice-presidente. A CPI tem como objetivo apurar como foi feita a aplicação de recursos federais dos estados e municípios na pandemia, assim como iniciar uma investigação das ações e omissões do governo federal.

“Teremos a eleição do presidente e do relator. O relator vai fazer o plano de trabalho e os senadores que participam da comissão vão contribuir com esse plano. Tenho uma tese que vamos trabalhar em torno da questão que promoveu o aumento da pandemia, que foi a imunidade de rebanho defendida pelo Bolsonaro, Osmar Terra e por todos os assessores. Todas as iniciativas de combate à pandemia ou foram do Congresso ou dos governadores e prefeitos. Esse é um caminho que estará na CPI”, disse Rogério Carvalho (PT-SE), suplente da CPI.

Os nomes que vão entrar na disputa para a presidência são os do senador Omar Aziz (PSD-AM), para a presidência, e o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), para vice. Apesar da maioria dos membros da CPI declararem apoio a Omar e Randolfe, o senador Eduardo Girão (Pode-CE) entrou na disputa. O nome mais indicado para a relatoria é o do senador Renan Calheiros (MDB-AL).

* Estagiário sob supervisão de Mariana Niederauer

 

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