CRISE

'Não foi algo positivo', diz Marco Aurélio sobre demissões nas Forças Armadas

Magistrado destacou que o presidente pode demitir qualquer ministro de Estado, mas que a troca nos comandos não contribui para a estabilidade do Brasil

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou, nesta segunda-feira (05), a demissão dos comandantes das Forças Armadas pelo presidente Jair Bolsonaro. O magistrado afirmou que a crise que envolve o governo e os militares não contribui para a estabilidade do país. O magistrado também criticou o comportamento do presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de covid-19.

De acordo com o magistrado, o presidente pode demitir qualquer um de seus ministros de Estado que ocupam as pastas na Esplanada. No entanto, a decisão de trocar os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica gera problemas. "Não foi algo positivo ao meu ver em termos de estabilidade e segurança jurídica. Agora só posso torcer para que o presidente tenha acertado nas novas indicações", disse ele, em entrevista à CNN Brasil.

Marco Aurélio afirmou ser contra a decisão do ministro Kássio Nunes que autorizou a abertura de igrejas mesmo em meio a pandemia. Ele se disse surpreso com o despacho do "ministro mais novo", em referência a Nunes. Ele defendeu que o caso seja tratado em plenário, como deve ocorrer na próxima quarta-feira (07).

O integrante do Supremo também destacou que "o Supremo não governa o país" e disse que o exemplo no combate ao novo coronavírus "deve vir do poder central", que é o Poder Executivo. "É preciso que a ficha do braseiro caia antes da perda de alguém da sua família", disse ele sobre o aumento de mortes e casos de covid-19. Ele destacou que o Judiciário atua, inclusive em relação ao comportamento do presidente, "se for provocado".

"Podemos cassar ato do presidente da República, do Congresso Nacional. Então é incrível o poder do Supremo. Que ele atue com vista a lei das leis que é a Constituição Federal. A partir do momento em que se distancia o Supremo da Constituição, vamos acreditar em que? A quem vamos recorrer? Eu reafirmo, o Supremo é a última trincheira da cidadania", disse.

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