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Araújo dispara contra o governo

Em série de postagens nas redes sociais, ex-ministro das Relações Exteriores afirma que Planalto se transformou "numa administração tecnocrática sem alma nem ideal". Ele deixou o cargo no Executivo após um longo processo de fritura

Renato Souza
postado em 01/05/2021 22:31


Um dos aliados mais ideológicos do presidente Jair Bolsonaro enquanto permaneceu no Executivo, o ex-ministro Ernesto Araújo, que ocupou a pasta das Relações Exteriores até o mês passado, publicou uma série de críticas ao governo nas redes sociais, ontem. Nas postagens, criticou, indiretamente, a proximidade do Palácio do Planalto com parlamentares do Centrão.

Para Araújo, desde o ano passado, o governo Bolsonaro se tornou uma “administração tecnocrática sem alma nem ideal”. “Um governo popular, audaz e visionário foi-se transformando numa administração tecnocrática sem alma nem ideal. Penhoraram o coração do povo ao sistema. O projeto de construir uma grande nação minguou no projeto de construir uma base parlamentar”, escreveu.

Para o ex-ministro, as reformas ficaram em segundo plano, diante do avanço da influência do Centrão no governo. “Leilões, privatizações, reformas tributária e administrativa? Se não for combatida a essência do sistema, essas serão reformas ‘Gattopardo’: mudanças para que tudo permaneça igual. Nenhuma ‘articulação política’ vai mudar o Brasil. Somente a pressão popular”, declarou.

Araújo pediu demissão atendendo a pedido de Bolsonaro. A saída dele ocorreu após pressão de parlamentares e de negociações com o Congresso. O ex-chanceler é apontado como um dos principais responsáveis pela deterioração da imagem do país no exterior, além do próprio chefe do Executivo.

O avanço da pandemia da covid-19 e declarações com críticas à China, principal parceira comercial do Brasil e fornecedora de insumos para a fabricação de imunizantes, contribuíram para a queda de Araújo.

Com os disparos que fez contra o governo, ele se junta a uma série de autoridades que deixaram seus cargos e viraram críticos do Executivo. O personagem de maior destaque desse grupo é o ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que saiu da pasta acusando Bolsonaro de tentar interferir na Polícia Federal. Além dele, outros integrantes da Esplanada viraram detratores do Executivo, como os ex-ministros da Secretaria de Governo Santos Cruz e da Saúde Luiz Henrique Mandetta.

“Penhoraram o coração do povo ao sistema. O projeto de construir uma grande nação minguou no projeto de construir uma base parlamentar”

Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores

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