Brasília-DF

por Denise Rothenburg
postado em 04/05/2021 00:30

Uma narrativa contra Mandetta

O governo considera esta terça-feira praticamente perdida na CPI da Covid, mas, ainda assim, não vai entregar os pontos. A ideia é lembrar que o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta recomendava que as pessoas não procurassem atendimento logo nos primeiros sintomas e, além disso, tem pretensões políticas. O depoimento que mais preocupa, conforme antecipou a coluna no sábado, é o de Nelson Teich, o ministro que tentou colocar o Brasil na linha de frente dos testes das vacinas e saiu porque não quis incluir a hidroxicloroquina no protocolo de atendimento do Ministério da Saúde.
A guerra de narrativas será voltada para Mandetta. Pelo menos parte dos governistas está disposta a tentar emparedar o ministro que, por sua vez, falará das dificuldades do governo em lidar com a pandemia.

 Dia de estreia, olho neles
Os governistas do G-4 da CPI vão prestar atenção redobrada nesses depoimentos para ver quais senadores titulares são passíveis de aprovar um relatório paralelo, capaz de poupar o presidente Jair Bolsonaro. Até aqui, o G-7 não abriu uma brecha que assegure maioria para o governo.

Lula na área...
Um dos objetivos desta viagem do ex-presidente a Brasília é buscar apoio internacional para o Brasil no combate ao novo coronavírus. De quebra, mostrar para seus antigos apoiadores, que o abandonaram depois do petrolão, que ele não perdeu o respaldo lá fora.

… e na política
Já os gestos ao MDB vêm no sentido de marcar território e ajudar a aparar as arestas que ainda ficaram depois do impeachment de Dilma Rousseff. De integrantes da família Sarney, Lula ouvirá de pelo menos um deles que, em 2022, votará em quem for capaz de derrotar Bolsonaro.

O limite de quem manda
O presidente da Câmara, Arthur Lira, não gostou nada de ver o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) deixar o relatório da reforma tributária para hoje, para apresentação na comissão mista, com participação de deputados e de senadores. A medida, que não tem amparo regimental, soou a alguns como algo do tipo, “Arthur é presidente, mas não manda em mim”.

 

Mudança de hábito/ Na entrevista ontem, no Planalto, o presidente Jair Bolsonaro não só colocou a máscara depois de sua fala, como ficou um pouco atrás, na hora das explicações técnicas da avaliação do Orçamento por parte do ministro Paulo Guedes e do secretário Carlos Costa. A maioria dos servidores do Planalto também usava o acessório.

A hora é de discrição/ Lula pretende evitar entrevistas em Brasília.
A alegação é a de que, em tempos de pandemia, fica difícil. Quanto ao almoço com Sarney, ambos já estão vacinados.

Nem tanto/ A Câmara dos Deputados abriu a exposição sobre as maravilhas da tecnologia 5G em várias atividades, especialmente, na agricultura e pecuária. Alguns funcionários ficaram assustados. Afinal, será aglomeração na certa, e ainda não chegamos ao nível de transmissão da Nova Zelândia, onde até os shows já estão liberados.

Bateu, levou/ O ministro Ricardo Salles adota um estilo daqueles que não levam desaforos para casa. Depois de ouvir calado vários discursos de deputados na comissão de Meio Ambiente, respondeu às perguntas intercalando com ataques aos congressistas e ainda chamou o deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP) de “ambientalista de palanque”.
O risco é ficar apenas com os bolsonaristas em sua defesa, na hora de aprovar os projetos governamentais nesta área.

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