CPI da Covid

"País teria mais vacinas caso aceitasse os riscos", diz Nelson Teich

"Quem chega depois, vai para o final da fila", comentou o ex-ministro da Saúde.Oncologista presta depoimento, nesta quarta-feira (5/5), à CPI da Covid do Senado

Jorge Vasconcellos
postado em 05/05/2021 15:54
 (crédito: Jefferson Rudy/ Agência Senado)
(crédito: Jefferson Rudy/ Agência Senado)

O ex-ministro da Saúde Nelson Teich afirmou, nesta quarta-feira (5/5), durante depoimento à CPI da Covid do Senado, que o Brasil poderia ter mais vacinas à disposição se tivesse aceitado os riscos, formalizando as compras ainda na fase de estudos dos imunizantes contra o novo coronavírus.

"Quem chega depois, vai para o final da fila", disse o oncologista, segundo o qual levaram a melhor, com altos estoques de doses, os países que tinham mais dinheiro e capacidade de assumir esse risco, adquirindo vacinas que talvez não se apresentassem úteis no futuro.

O ex-ministro disse que, durante a sua gestão, de apenas 29 dias, negociou com os laboratórios Moderna e Johnson e com a Universidade de Oxford a possibilidade de compras de imunizantes ainda na fase de estudos.

Teich também considerou que a estratégia brasileira foi equivocada, sobretudo em razão da defesa do uso de remédios sem eficácia científica comprovada para o tratamento da covid-19, como a hidroxicloroquina. "Numa estratégia onde a gente tivesse foco na vacina, a gente teria provavelmente um acesso maior e uma vacinação mais precoce", declarou o ex-ministro.

Imunidade de rebanho

Na sua opinião, o Brasil desistiu de adquirir as vacinas de forma antecipada e acabou prejudicado na distribuição das doses pelos fabricantes. Segundo ele, a vacinação é a única forma de se adquirir a imunidade da população.

"A tese de imunidade de rebanho, na qual você adquire a imunidade pelo contato e não pela vacina, é um erro", afirmou o ex-ministro.

 

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