CPI da covid-19

Queiroga e Otto Alencar batem boca em depoimento na CPI e Aziz intervém

O ministro de Saúde admitiu não ter lido a bula das vacinas que atualmente são aplicadas no Brasil e foi criticado pelo senado

Nathalia Galvani*/Estado de Minas
postado em 08/06/2021 16:57
 (crédito: Agência Senado/Reprodução)
(crédito: Agência Senado/Reprodução)

O ministro de Saúde, Marcelo Queiroga, e o senador Otto Alencar (PSD-BA) discutiram durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid, desta terça-feira (8/6), após o parlamentar perguntar ao chefe da pasta se ele tem conhecimento sobre a bula das vacinas contra o coronavírus que atualmente são aplicadas no Brasil.

Ao ser questionado por Otto, que também é médico, Queiroga negou ter lido a bula dos imunizantes. O senador então criticou o ministro, dizendo que, devido às responsabilidades de seu cargo, era aquele quem mais deveria ter conhecimento sobre o processo de vacinação no país.

“O senhor é a autoridade sanitária do Brasil. É exatamente o senhor que deve determinar como as vacinas devem ser aplicadas e quem deve tomar a vacina ou não. Ler na bula da vacina os modos de usar, posologia, efeitos colaterais, e o senhor não fez isso, ministro. Devo dizer que o ato mais irresponsável que o ministro da Saúde pode fazer é determinar a aplicação da vacina sem ter conhecimento dos efeitos colaterais", afirmou.

O ministro se irritou com as declarações de Otto e rebateu: "Do ponto de vista prático da minha gestão, nós distribuímos 70 milhões de doses para a população brasileira. Vossa excelência não pode querer desqualificar a autoridade sanitária do Brasil por ter lido ou não a bula da vacina."

Em seguida, um bate-boca se iniciou entre os dois após o senador alegar que Marcelo Queiroga mentiu ao dizer que quem editou a norma para a vacinação às gestantes foi o Plano Nacional de Imunização. No mês de maio, o Ministério da Saúde suspendeu a aplicação da vacina britânica para o grupo devido a efeitos adversos.

"Não foi. Foi a Dra. Franciele Francinato. Fale a verdade, ministro. A ciência não pode mentir. Uma paciente morreu com a dose da AstraZeneca", disse Otto.

O ministro contestou as críticas do parlamentar. "A sociedade brasileira reconhece os esforços que estão sendo feitos aqui. Não aceito que isso seja desqualificado", disse.

A sessão foi suspensa pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), após a discussão.

* Estagiária sob supervisão da subeditora Ellen Cristie.

 

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