Pandemia

Bolsonaro e a "tabela" do TCU: "Foi feita por gente que está ao meu lado"

Sem provas, o mandatário voltou a insistir em um superdimensionamento de mortes por covid-19 e defendeu o inexistente tratamento precoce. O chefe do Executivo disse ainda que errou apenas ao trocar o termo "acórdão" por "tabela"

Ingrid Soares
postado em 09/06/2021 19:56
 (crédito: Alan Santos/PR)
(crédito: Alan Santos/PR)

O presidente Jair Bolsonaro participou, nesta quarta-feira (09/06), do Culto Interdenominacional das Igrejas de Anápolis, onde voltou a insistir, sem provas, em um superdimensionamento de mortes por covid-19. O mandatário ainda citou o Tribunal de Contas da União (TCU), que já desmentiu a existência de um documento oficial que trate de mortes pela doença.

O chefe do Executivo disse ainda que a tabela foi feita por "gente que está ao seu lado". Na segunda-feira, Bolsonaro se baseou em um documento não oficial, um 'estudo paralelo' de caráter pessoal do auditor Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques apontando que metade das mortes pela covid-19 no país não ocorreu. 

"Eu tive acesso a dois acórdãos do TCU. Eles se baseavam numa MP minha, que nasceu em março e depois se transformou em lei, onde era bem claro ali um dos parágrafos do acórdão, dizia o TCU que a metodologia para enviar recursos aos estados levando-se em conta incidência do covid poderia suscitar a prática não desejável de um superdimensionamento da quantidade de pessoas infectada e mortas para aquele estado ganhasse mais recurso. Trabalhei em cima daquilo e apareceu uma tabela", apontou.

O  chefe do Executivo disse ainda que errou apenas ao trocar o termo "acórdão" por "tabela". Ele disse ainda que em comparação com anos anteriores, a taxa de mortes em 2020 é um "pouquinho maior" por conta do vírus. "Eu só me equivoquei no dia que eu troquei acórdão por tabela, mas continua valendo a mesma coisa. E se a gente depois, na tabela, que não foi feita por mim, foi feita por gente que está ao meu lado", explicou o presidente.

Em seguida, ele começou a detalhar o argumento de que haveria um superdimensionamento de mortes por covid no Brasil. "Se começa a analisar os óbitos de 2015, 2016, 2017, 2018, 2019 e 2020, a gente vê que, ano a ano, é crescente o número de óbitos, e é natural. Mas quando chega em 20, o salto é um pouquinho maior, obviamente, por causa da covid, mas daí a gente pega o número de óbitos de 2020 e retira os que morreram por covid, aproximadamente 200 mil, a tabela tem um crescimento negativo. Mais um indício, ou melhor, uma constatação da supernotifcação de casos de covid", justificou o presidente da República.

Para convencer a plateia de seu argumento, o chefe do Executivo fez uma metáfora com jogos de azar e disse que o número, segundo ele, relativamente baixo de mortes resulta da adoção do tratamento precoce. "Talvez eu seja o único chefe de estado no mundo que fala isso, será o único certo? Às vezes acerta. Para acertar na Megasena, alguns acertam sozinhos. Acontece. Se retirarmos as possíveis fraudes, teremos em 2020 o país como aquele com menor número de mortos por milhão de habitantes por conta da covid. Que milagre é esse? O tratamento precoce", defendeu Jair Bolsonaro.

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