CPI da Covid

Wilson Witzel pode levar caso Marielle à CPI da Covid

Ex-governador chegou ao colegiado com vontade de falar e afirmou que a prisão dos assassinos da ex-vereadora levaram a uma perseguição política contra a sua gestão. Expectativa é de que ele aprofunde informações sobre as estratégias do governo federal de perseguição a governadores

Luiz Calcagno
postado em 16/06/2021 10:05 / atualizado em 16/06/2021 10:16
 (crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado)
(crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Desvio de dinheiro público, falta de leitos e de respiradores e até o caso Marielle estão entre os assuntos que o ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, deve levar para a Comissão Parlamentar de Inquérito da covid-19 nesta quarta-feira (16/6). Witzel chegou ao Senado com vontade de falar e prometeu, ao fim, conversar com a imprensa sobre a reunião do colegiado. Ainda assim, há temas em que ele não irá tocar. Segundo o governador, no entanto, isso dependerá de orientação de seus advogados durante o depoimento.

De acordo com Witzel, todo o seu processo de impeachment teve início graças ao andamento das investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol). Ela e o motorista, Anderson pedro Gomes, foram assassinados a tiros por disparos de metralhadora 9mm. O sargento reformado da PM Ronie Lessa é acusado como sendo autor dos disparos, e o ex-PM Élcio Queiroz responde por dirigir o carro dos criminosos. Passados 1.190 dias do caso, ainda não se sabe quem mandou matar Marielle.

A vereadora estava combatendo a atuação de milicianos de Rio das Pedras. Segundo o ex-governador do Rio, o fim de seu governo teve início com a prisão dos ex-policiais, em março de 2019. “O caso Marielle foi o estopim da revolta do governo federal comigo. Meu compromisso é com a verdade, doa a quem doer. O caso Marielle tinha que ser resolvido, e a prisão dos executores causou tudo que aconteceu”, acusou Witzel pouco antes do início da sessão da CPI.

“Eu ainda vou tratar assuntos que considero sigilosos, mas venho para colaborar com a CPI e com a nação, esclarecer os fatos que ocorreram no Rio de Janeiro. O impeachment traveste um golpe contra a democracia e contra mim, e espero que a CPI possa trazer luzes ao que aconteceu no Rio. Ao final, vou responder às perguntas dos jornalistas, de acordo com o que foi falado”, afirmou.

Governo Bolsonaro

Questionado sobre se falará do governo Bolsonaro, o ex-governador disse ser inevitável. “Não tem como não falar. Toda a pandemia está da forma que está em razão da postura do governo federal. É notório. É preciso entrar nos detalhes para compreender a responsabilidade, de quem é a responsabilidade, e quais as consequências para tudo isso que está acontecendo. E no meio de tudo isso teve o impeachment a um governador de estado e perseguição a outros governadores”, afirmou.

Desde o início da pandemia, o presidente da República busca meios de responsabilizar governadores pela mortalidade e pelas dificuldades econômicas provocadas pela crise sanitária. Witzel disse que também falará dos desvios públicos ocorridos no Rio. “Tem que ser esclarecido. É um dos pontos que quero que a CPI investigue. Se eu tivesse ficado no cargo de governador, eu teria investigado a fundo quem é que desviou dinheiro do Rio de Janeiro, se é que desviou. Até agora não encontraram um centavo”, defendeu-se.

Advogados

Sobre o direito de ficar calado, deve se restringir às perguntas relacionadas aos processos que o governador enfrenta e que levaram ao seu impedimento no governo estadual. “Essa é uma questão que depende dos advogados. Estou com meus advogados, que são profissionais e estão na minha defesa. Eles tem técnicas que não posso interferir. Se me pedirem para não falar de um determinado assunto que depende da instrução dos processos que respondo, de diligências e estratégias de defesa, não posso contrariar os advogados”, justificou o ex-chefe de Executivo.

“Mas, na medida do possível, vamos esclarecer tudo. Não temos nenhum problema com a verdade. Inclusive, falei isso no meu processo de impeachment, que não foi imparcial, foi parcial, um golpe de estado na democracia”, insistiu. Para Witzel, faltou liderança do governo federal. “Se tivesse aberto os mais de 600 leitos do Rio de Janeiro, teria resolvido os problemas de falta de internação e comprado respiradores”, afirmou.

  • Definição do futuro  de Witzel caberá ao Tribunal Especial Misto
    Definição do futuro de Witzel caberá ao Tribunal Especial Misto Foto: Mauro Pimentel/AFP
  •  Pronunciamento do governador Wilson Witzel e secretários de Estado, no Palácio Guanabara, sobre a morte da menina Ágatha Félix, durante ação da Polícia Militar no complexo de favelas do Alemão.
    Pronunciamento do governador Wilson Witzel e secretários de Estado, no Palácio Guanabara, sobre a morte da menina Ágatha Félix, durante ação da Polícia Militar no complexo de favelas do Alemão. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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