CPI DA COVID

Randolfe a Bolsonaro: "Só não me chame de corrupto, miliciano e superfaturador de vacina"

Mesmo internado em um hospital, Bolsonaro atacou o presidente do colegiado, Omar Aziz (PSD-AM); o vice-presidente, Randolfe Rodrigues (Rede-AP); e o relator, Renan Calheiros (MDB-AL)

Augusto Fernandes
postado em 16/07/2021 06:00
O chefe do Executivo ainda reclamou da tentativa de integrantes da CPI em querer acusar o governo de corrupção -  (crédito: Agência Senado)
O chefe do Executivo ainda reclamou da tentativa de integrantes da CPI em querer acusar o governo de corrupção - (crédito: Agência Senado)

Mesmo internado em São Paulo para tratar um quadro de obstrução intestinal, o presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais, ontem, para fazer críticas à CPI da Covid e a Cristiano Carvalho, representante da Davati Medical Supply no Brasil, que prestou depoimento ao colegiado. Carvalho admitiu que soube do suposto pedido de propina revelado pelo cabo da PM Luiz Paulo Dominghetti, autodeclarado vendedor autônomo de vacinas. À CPI, o militar declarou que, ao tentar vender 400 milhões de doses da AstraZeneca ao governo federal, em nome da Davati, foi sondado com uma proposta feita pelo então diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, para que o Executivo ficasse com US$ 1 do valor de cada unidade.

Bolsonaro criticou Carvalho e citou trechos do representante da Davati para ironizá-lo, como o de que ele teve de recorrer ao auxílio emergencial, no ano passado, por conta de dificuldades financeiras. “Um ‘negócio’ bilionário onde o Cristiano, para ‘sobreviver’, usa do artifício de se beneficiar do auxílio emergencial (sacou e não devolveu R$ 4.100 em 2020)”, publicou o presidente.

O chefe do Executivo ainda reclamou da tentativa de integrantes da CPI em querer acusar o governo de corrupção. “O que frustra o G-7 é não encontrar um só indício de corrupção em meu governo. No caso atual, querem nos acusar de corrupção onde nada foi comprado, ou um só real foi pago”, destacou.

Bolsonaro ainda atacou o presidente do colegiado, Omar Aziz (PSD-AM); o vice-presidente, Randolfe Rodrigues (Rede-AP); e o relator, Renan Calheiros (MDB-AL). “No circo da CPI, Renan, Omar e Saltitante estão mais para três otários que três patetas”, postou.

Aziz não perdoou ao rebater as ofensas: “Não quero acreditar que o presidente Jair Bolsonaro, num leito de hospital, esteja gastando energia para atacar os senadores da CPI. Deve ter sido um moleque — que não tem coragem de mostrar o que é de verdade — que fica assacando quem o contraria. Se tivesse tido uma boa criação, talvez hoje tivesse a coragem esperada de um homem. Mas ainda vai crescer muito e levar uns cascudo da vida”, disparou, numa referência velada ao vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). O chefe do Planalto já disse que o filho tem a senha dele do Twitter. O senador completou: “Presidente, quero o senhor com saúde para enfrentá-lo no bom debate, com dignidade, sem apelação. É como fazem grandes homens”.

Randolfe Rodrigues também reagiu duramente. “Senhor Pr… não! Pres… Não. Bolsonaro… Estimo melhoras! A CPI está avançando e nada vai atrapalhar as investigações! Entendo o nervosismo, especialmente com as denúncias de prevaricação e corrupção que se acumulam. Seus ataques só nos estimulam ainda mais. Não vão nos intimidar!”, escreveu. “E saiba que não me incomodo com os termos que você utiliza para se referir a mim ‘saltitante, fala fina’… O sr. só não pode me chamar de corrupto, miliciano, superfaturador de vacina e líder internacional da fraude, né?”

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