Governo

Fábio Faria desponta como possível vice de Bolsonaro em 2022

Defesa do presidente no debate sobre a pandemia e condução do leilão 5G cacifaram o deputado federal a substituir Hamilton Mourão na chapa presidencial. Parlamentar deve se filiar ao PP, legenda controlada por caciques do Centrão

Augusto Fernandes
postado em 20/07/2021 20:51 / atualizado em 20/07/2021 21:03
 (crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
(crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Dentre as várias pendências que precisa resolver para disputar as eleições do ano que vem, o presidente Jair Bolsonaro avalia quem será o vice da sua chapa, pois o atual, o general Hamilton Mourão, não está nos planos do chefe do Executivo para 2022. A solução deve vir de algum dos 22 ministérios do governo. Depois de cogitar Tereza Cristina (titular da Agricultura), Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e Damares Alves (titular da Mulher, Família e Direitos Humanos), a bola da vez é o ministro das Comunicações, Fábio Faria.

Apesar de estar há menos tempo no governo do que os outros ministros, Faria ganhou bastante prestígio com Bolsonaro. Nos últimos meses, o deputado federal licenciado tornou-se notório na defesa do presidente contra as críticas por conta da pandemia da covid-19. Na data em que o Brasil superou a marca de 500 mil mortos pela doença, por exemplo, o ministro das Comunicações usou as redes sociais para reclamar de quem culpa o chefe do Executivo pelos números e não reconhece os esforços de Bolsonaro para tentar conter a pandemia.

Mas também joga a favor do ministro a forma como ele tem conduzido o processo de implementação da tecnologia 5G no Brasil. Faria assumiu as negociações assim que ingressou no Ministério das Comunicações e conseguiu articular estratégias para não restringir nenhuma empresa a participar do leilão, que deve acontecer em agosto.

Antes, por influência do governo dos Estados Unidos e do ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, o Executivo cogitava barrar a chinesa Huawei de disputar o certame por suspeitas de que a instituição pudesse espionar o Brasil. Faria, no entanto, descartou essa possibilidade e impôs no edital do 5G que as empresas vencedoras do leilão, além de fornecerem a tecnologia em todo o país, criem uma rede privativa ao Palácio do Planalto e aos demais órgãos que compõem a administração federal.

Na avaliação do governo, essa estratégia é capaz de contemplar os interesses tanto de norte-americanos quanto da empresa da China na disputa pelo 5G do Brasil. Enquanto os Estados Unidos poderiam disponibilizar a tecnologia necessária para a construção de uma rede exclusiva do Executivo, a Huawei ficaria a cargo da oferta do 5G em nível comercial.

Filiação ao PP

Em meio à aproximação com Bolsonaro, Faria já anunciou que vai se desfiliar do PSD. A decisão do ministro se dá pelo fato de o presidente do partido, Gilberto Kassab, ter confirmado que vai lançar um candidato para as eleições presidenciais do ano que vem. Faria, portanto, busca uma legenda mais alinhada a Bolsonaro, pois diz que não pode continuar em um partido que não vai apoiar o presidente.

O PP é um provável destino para Faria, sobretudo pela proximidade do chefe do Executivo com nomes importantes da legenda, como o senador Ciro Nogueira (PI), que preside o partido; o deputado Arthur Lira (AL), presidente da Câmara; e o deputado Ricardo Barros (PR), líder do governo na Câmara.

Nesta semana, em entrevista ao Flow Podcast, o ministro comentou sobre o que Bolsonaro deve levar em conta na hora de escolher o vice para o pleito de 2022. Segundo Faria, o presidente “vai ter que ter um vice que agregue a chapa dele, que seja da confiança dele”. Além disso, o deputado licenciado disse que o presidente deve considerar se “aquele vice, não que seja obrigado, mas que tenha alguma chance de sucedê-lo” em 2026, considerando que Bolsonaro ganhe no ano que vem.

O Correio entrou em contato com a assessoria do ministro das Comunicações, mas não recebeu um posicionamento de Faria até o fechamento desta reportagem.

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