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Bolsonaro: se o gás custa R$ 110, não é problema do governo federal

Em entrevista a uma rádio, presidente comentou a agenda econômica. Ele reconheceu o avanço da inflação, mas disse que o governo está empenhado em aumentar o Bolsa Família. Ele acusou os governadores de não baixarem as alíquotas do ICMS sobre combustíveis

Vera Batista
postado em 27/07/2021 22:57 / atualizado em 27/07/2021 23:39
 (crédito: Alan Santos/PR)
(crédito: Alan Santos/PR)

Em meio a uma reforma ministerial para acomodar os aliados, o que inclui a criação do Ministério do Emprego e da Previdência, o presidente Jair Bolsonaro comentou a agenda econômica do governo. Um dos temas abordados, em entrevista à Rede Nordeste de Rádio, foi o reajuste do Bolsa Família a partir de novembro.

Segundo o presidente, o aumento de pelo menos 50% no valor do benefício está garantido — embora a equipe econômica ainda não tenha definido a origem dos recursos. Bolsonaro afirmou que “não vai negar que aumentou o preço do arroz, do feijão, do ovo, da galinha”. “Nós estamos vendo de R$ 300 até o fim do ano, para mais de 22 milhões de pessoas. Mas não é para voto. Queremos que a pessoa tenha uma porta de saída”, afirmou Bolsonaro.

Ao comentar sobre o preço do gás de cozinha, o presidente disse que, se o produto sai das refinarias a R$ 45 e chega ao consumidor final a R$ 110, o problema não é do governo federal. Seria dos governadores, que não baixaram a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

"O gás, lá onde ele é engarrafado, na Petrobras, custa R$ 45. Qual o imposto federal do gás? É zero. Cancelei todos os impostos federais do gás por 20 anos. Então, se sai a R$ 45 e chega a R$ 110, tem R$ 55 ao longo o caminho", afirmou Bolsonaro.

"Qual é a composição desse gasto extra? É o frete, o transporte, é o cidadão da ponta que está vendendo o bujão? E a maior parte? O ICMS, imposto estadual. Então, o pessoal deve procurar o seu deputado estadual, o seu governador, e dizer: governador, o presidente Bolsonaro zerou o imposto do gás. Que baixe um pouquinho, dê uma demonstração", provocou o presidente.

A alta tarifa do ICMS é também o foco, segundo Bolsonaro, da reclamação dos caminhoneiros, sobre o avanço do valor litro do óleo diesel. “Hoje, quando se vê o valor do frete, temos que ver qual é o vilão”, disse.

Bolsonaro também comentou a crise energética. Mesmo com o país vivendo uma das piores crises hídricas da histórica, com os reservatórios das hidrelétricas em situação dramática, o presidente disse que “não vai ter apagão, porque nós investimos em energia alternativa”. “Mas demos azar’, completou.

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