DIA DO AGRICULTOR

Planalto homenageia Dia do Agricultor com imagem de homem armado

Campanha faz alusão à política armamentista, bandeira defendida pelo presidente Jair Bolsonaro. Imagem criou polêmica nas redes sociais, sendo ironizada por internautas nesta quarta-feira (28/7)

A Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto publicou nas redes sociais nesta quarta-feira (28/7) uma homenagem ao Dia do Agricultor afirmando que os trabalhadores rurais não pararam de trabalhar durante a pandemia. O que chamou a atenção, porém, foi a foto escolhida em um banco de imagens que mostra um homem segurando uma espingarda no ombro em meio a uma plantação. A campanha faz alusão à política armamentista, bandeira defendida pelo presidente Jair Bolsonaro. 

Questionada pelo Correio a respeito da peça, a Secom ainda não se manifestou. A foto foi tirada de um site inglês, o alamy.com. Estima-se que o governo brasileiro tenha pagado R$ 3 mil para usar a imagem.

Em pouco mais de duas horas de postagem, a imagem criou polêmica, sendo ironizada por internautas. Após as críticas, a Secom apagou o post. Veja abaixo:


A ONG Ação da Cidadania divulgou nota pública criticando a imagem. O texto é assinado pelo Diretor Executivo Rodrigo "Kiko" Afonso. Leia na íntegra:

"A estarrecedora imagem postada pela SECOM do Governo Federal com um homem segurando um rifle ao invés de uma enxada no Dia do Agricultor só demonstra a forma como este governo encara a zona rural: um campo de batalhas.

Na ponta daquele rifle retratado na postagem estão os indígenas, os quilombolas, os ribeirinhas e os pequenos produtores que lutam dia-a-dia pela sua sobrevivência enquanto o agronegócio avança em cima de suas terras, com agrotóxicos e espingardas.

Para além do absurdo da imagem, está a desfaçatez do texto, que, em mais um exercício de pós-verdade, tenta colocar o Brasil como um exemplo de segurança alimentar. Nosso país vive uma inflação com subida de preços no setor de alimentos de 15,26%, sendo que, dentre estes alimentos, os cereais (arroz, feijão etc) tiveram aumento médio de mais de 30%, a carne mais de 35% e o óleo mais de 55%.

Tudo isso com o Bolsa Família com o valor congelado desde 2016; e o aumento real do salário mínimo revogado pelo governo federal.

O aumento da promessa de investimento não significa execução real deste montante. O fato é que os recursos destinados totais diminuíram de 2014 a 2020; e o pequeno produtor sofre cada vez mais com a falta de políticas públicas que possam garantir preços para produtos que a população consome verdadeiramente, como o arroz e o feijão.

Em suma, temos um governo que acha que exportar soja e milho para alimentar principalmente gado, suínos e aves é segurança alimentar para o povo brasileiro. Ou seja, tal mentalidade demonstra claramente o seu total desconhecimento sobre a fome no Brasil."