CRISE

TSE abre inquérito para investigar ataques contra o sistema eleitoral

Alvo das diligências é o presidente Jair Bolsonaro e demais autoridades que fazem declarações sem lastro sobre as eleições

Renato Souza
postado em 02/08/2021 21:00
 (crédito: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(crédito: Minervino Junior/CB/D.A Press)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por unanimidade de votação no plenário, abrir investigação sobre ataques contra o sistema eleitoral. As diligências miram o presidente Jair Bolsonaro, que acusa fraude nas eleições sem apresentar provas. O inquérito administrativo vai apurar ainda "abuso do poder econômico e político, corrupção, fraude, uso indevido de veículos de comunicação e ataques a legitimidade do sistema eleitoral".

A proposta, lida pelo presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, partiu do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Luís Felipe Salomão. Em uma live realizada na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro alegou que o sistema de votação utilizado no Brasil não é seguro, defendeu a implantação de voto impresso, aliado ao eletrônico e "contagem pública de votos". O discurso, que usou vídeos de internet para alegar irregularidades na votação, foi transmitido ao vivo pela TV Brasil, do sistema público de comunicação.

A emissora, por lei, deve ser retransmitida na grade de operadoras de televisão por assinatura, além de ir ao ar em sinal aberto digital em todo o país. O presidente voltou a repetir as declarações em discurso realizado em Brasília, para apoiadores que se manifestavam na Esplanada no sábado (31).

“Sem eleições limpas e democráticas, não haverá eleição. Nós mais que exigimos, podem ter certeza, juntos, porque vocês são, de fato o meu exército, o nosso exército, fazer com que a vontade popular seja expressada na contagem pública do voto", ameaçou Bolsonaro.

O presidente alega que ocorreram fraudes nas eleições de 2018, em que ele foi eleito, e no pleito de 2014, mas não apresenta comprovação do que diz. Caso a investigação aponte que ele cometeu crimes, ou abusos, o presidente pode ficar inelegível.

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