CPI DA COVID-19

Coronel Helcio Bruno diz conhecer Bolsonaro e que participou de sua campanha

Segundo ele, o presidente é seu contemporâneo na academia militar - Bolsonaro é da turma de 1977 e ele é de 1978

Sarah Teófilo
postado em 10/08/2021 15:58
 (crédito: Reprodução/CPI)
(crédito: Reprodução/CPI)

O tenente-coronel da reserva Helcio Bruno de Almeida, presidente da organização Instituto Força Brasil (IFB), afirmou nesta terça-feira (10/8), em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, que conhece o presidente da República, Jair Bolsonaro e que participou de uma primeira fase da campanha presidencial do mandatário, eleito em 2018. Segundo ele, o presidente é seu contemporâneo na academia militar - Bolsonaro é da turma de 1977 e ele é de 1978.

Helcio Bruno foi convocado a depor por suspeita de ter atuado como intermediador na negociação de vacinas em prol da empresa americana Davati Medical Supply, cujo representante no Brasil é Cristiano Carvallho e que tem como vendedor autônomo de vacina o cabo da Polícia Militar Luiz Paulo Dominghetti. O depoente ressatou que não tinha contato com Bolsonaro na época da academia, e que o presidente seguiu a vida política.

"Em 2016, quando ele manifestou que estaria concorrendo ao cargo de presidente da República, aproveitei, fiz uma visita e declarei a ele que nós poderíamos ajudá-lo dentro da nossa esfera de ação. Criei um grupo de trabalho JB18, e nós reunimos algumas pessoas para colaborar com ele", afirmou.

No ano seguintre, o coronel explicou que fez duas cirurgias e se afastou a trajetória do presidente. Em 2018, participou de uma entrevista feita com Bolsonaro. "Então, durante a campanha, foi o último momento", afirmou. Posteriormentem em 2019, com o mandatário empossado, "um pequeno grupo de militares da turma de 1976 foi fazer uma visita de cortesia ao presidente".

"E eu, que tinha participado, digamos, numa primeira fase da sua campanha, o ajudando de alguma maneira, solicitei a eles se eu poderia ser incluído para cumprimentar o presidente, uma vez que nunca mais tivemos qualquer contato. E foi o que aconteceu. Se não me engano, foi no dia 8 de março de 2019, quando eles fizeram essa visita, e eu solicitei, de maneira que eu pudesse participar e cumprimentar o presidente. E que eu me lembro, foi a última ocasião que estive com ele. O presidente não é da minha relação próxima. E é isso que eu tenho que declarar", afirmou, referindo-se ao encontro retratado em uma foto mostrada na CPI.

Questionado pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL) sobre quantos encontros com membros do governo ele já articulou, inclusive para tratar de vacinas, ficou em silêncio, direito que lhe foi garantido em habeas corpus da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia. Sua resposta foi a mesma quando pergunutado sobre quais pessoas na presidência da República ele conhece. A decisão da ministra permitiu que o coronel permaneça em silêncio sobre fatos que possam lhe incriminar.

O presidente do IFB disse que não se considera influente no governo, ao que o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou: "Muitos, talvez, parlamentares gostariam de ter a influência que o senhor tem nas agendas do governo".

O senador citou que nos dias 7 de abril e 21 de janeiro, ele se reuniu com o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão (PRTB); que no dia 4 de fevereiro, se reuniu com o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles; e no dia 9 de abril, se encontrou com o general Luiz Eduardo Ramos, ex-ministro da Casa Civil e atual ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. "O senhor tem um grau de influência neste Governo que faz inveja talvez até a muitos parlamentares que apoiam o governo", pontuou Randolfe.

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