Militares

"Não houve tom intimidador", diz vice-almirante sobre desfile militar

Carlos Chagas, comandante da Força de Fuzileiros da Esquadra da Marinha, destacou que o desfile militar na Praça dos Três Poderes não teve conotação política. Sobre o veículo que expelia fumaça, o militar disse tratar-se de um carro com a vida útil próxima do fim.

João Vitor Tavarez*
postado em 11/08/2021 20:28
 (crédito: Marcelo Ferreira )
(crédito: Marcelo Ferreira )

Em entrevista ao CB.Poder desta quarta-feira(11/8), o vice-almirante e comandante da Força de Fuzileiros da Esquadra, Carlos Chagas, responsável pela tropa que desfilou na Praça dos Três Poderes, afirmou que o evento de ontem não teve conotação política. Disse, ainda, que a Marinha pretendia dar transparência às suas ações e mostrar para sociedade como está estruturada. O CB.Poder é uma parceria da TV Brasília e do Correio Braziliense.

“O comandante da Marinha (almirante Almir Garnier) já se manifestou sobre esse assunto. Ele já falou expressamente sobre a coincidência”, explicou Chagas sobre o fato do desfile militar ocorrer no dia da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso na Câmara dos Deputados. O assunto é amplamente defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, sobretudo em tom de ataque ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“A passagem ocorreu em um horário tranquilo em Brasília, às 8h30, o que permitiu à tropa caminhar com segurança e transparência. Depois alguns blindados ficaram expostos em frente à Marinha, onde houve uma quantidade expressiva de visitantes. Então não tem tom intimidador, ou algo do tipo, mas simplesmente mostrar [os recursos da Marinha] com transparência”, esclareceu Carlos Chagas.

O vice-almirante ainda comentou a Operação Formosa (GO), treinamento militar que ocorre desde 1988. O comboio com veículos blindados saiu do Rio de Janeiro e, pela primeira vez, passou em Brasília. Na ocasião, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Defesa, general Braga Netto, receberam convites para uma demonstração operativa a ser realizada em 16 de agosto, no Campo de Instrução em Formosa.

Chagas descartou os rumores de que a passagem pela capital foi programada ou decidida de última hora pelo presidente da República. “A gente vem do Rio de Janeiro para cá [Brasília] e segue para outras regiões. Fazemos uma série de coisas pois é nossa obrigação, enquanto tropa expedicionária, ir a todos os lugares. Foi essa a coincidência e a nossa presença, que já estava programada desde o ano passado, visto que é um evento planejado com muita antecedência, dentro do nosso programa de treinamento”, comentou o comandante.

Blindado com fumaça

A exibição dos carros militares virou piada nas redes sociais. Isso porque um dos veículos soltava uma fumaça preta, comparada ao fumacê usado para controlar a dengue. O vice-almirante disse ter uma explicação. “O SK-105, carro de combate que causou um pouco de dúvida, já está no final de sua vida útil. Nós mantemos esses veículos com muito esforço, o que mostra a dedicação e cuidado com dinheiro público”, explicou. O comandante também ressaltou que todo o material apresentado no desfile está em condições de uso graças ao esforço dos nossos marinheiros e fuzileiros.

Chagas informou que a Marinha tem programas estratégicos. Um deles, voltado para a revitalização dos recursos do Corpo de Fuzileiros Navais. “Quando aparecerem recursos, eles [veículos] poderão ser trocados. Nós entendemos o Brasil. Mas quando se fala de orçamento em Defesa, é importante essa transparência, a fim de mostrar a destinação dos recursos”, disse.

Na avaliação do vice-almirante, os investimentos na Defesa são fundamentais, pois a pasta realiza diferentes apoios na defesa do país e, sobretudo, nas ações de combate à covid-19. “Não existe outra instituição dedicada a isso. Então se as Forças Armadas não estiverem preparadas, quando a coisa acontecer [eventual crise], não tem como improvisar”, destacou.

*Estagiário sob supervisão de Carlos Alexandre de Souza

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