PANDEMIA

Para fugir de pandemia, inflação e desemprego, Bolsonaro cria factoide

"Presidente agora quer o fim das máscaras que não usa. Afinal, 600 mil mortos ainda é muito pouco para ele", opina Ricardo Kertzman

Ricardo Kertzman - Estado de Minas
postado em 24/08/2021 20:24 / atualizado em 24/08/2021 20:31
 (crédito: EVARISTO SA/AFP)
(crédito: EVARISTO SA/AFP)

Enquanto nossos amigos e parentes queridos adoeciam e morriam, e nós mesmos pagamos um preço altíssimo pelo negacionismo, omissão, desídia, incompetência, psicopatia e vocação homicida deste desgoverno aloprado, Jair Bolsonaro, o líder de tudo, dominou as manchetes e pautou o debate, ou melhor, a guerra sobre essa maldita pandemia.

Para esconder a aflição de milhões de doentes sem atendimento e até mesmo sem oxigênio hospitalar; as UTI’s lotadas e as pilhas de cadáveres por todas as cidades do País; a falta de vacinas; o vaievém dos ministros da Saúde, etc., o verdugo do Planalto especializou-se em produzir, dia sim, outro também, os factoides estúpidos que dominaram o debate.

Primeiro foi a história da gripezinha, do resfriadinho. Depois o "mimimi", o "e daí?" e o "se morrer, morreu, não sou coveiro". Daí veio cloroquina, ivermectina, spray nasal de Israel e reza brava. Em seguida, as tretas com prefeitos, governadores, China, STF e especialmente João Doria. Mais a frente, comunismo, Lula, urnas eletrônicas e voto impresso. Por fim, golpe de Estado.

O Brasil afundava em um lamaçal de superfaturamento e negociatas espúrias com o Centrão. A inflação, sobretudo a de alimentos, explodia e atirava mais de 80 milhões de brasileiros na fome ou na insegurança alimentar. O real, graças à instabilidade política promovida pelo golpista no poder, perdia valor como nenhuma outra moeda no mundo. Combustíveis, energia elétrica...

Tudo isso acontecia e o amigão do Queiroz não governava, dava de ombros. Como não tem a menor condição de ser nem sequer síndico de prédio de três andares em cidade do interior, o pai do senador das rachadinhas e da mansão de R$ 14 milhões — que custou, rá rá rá!, R$ 6 milhões — passou esse tempo todo nos distraindo com seus devaneios. E deu certo!

Tanto que, agora, inventou um novo tema para mobilizar sua grei aloprada e desviar nossa atenção. O maníaco do tratamento precoce quer o fim das máscaras, que não usa, e determinou ao novo fantoche da Saúde, o ministro Marcelo Queiroga, estudo determinando o fim da obrigatoriedade das mesmas. Ao que parece, 600 mil mortos ainda não bastam para o sociopata.

Assim, enquanto o dólar encosta novamente nos R$ 6; a gasolina ultrapassa os R$ 7 por litro; o gás de cozinha atinge os R$ 130 o botijão de 13kg; o consumo de proteína animal despenca ao menor nível dos últimos 25 anos; o desemprego formal marca 15 milhões de aflitos; o IPCA chega aos 9% ao ano e o IGPM ultrapassa 30% Bolsonaro brinca de ser presidente e faz chacota com a nossa cara.

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