SETE DE SETEMBRO

7 de setembro: PM estima que Esplanada vai receber 100 mil pessoas

GDF monta esquema de segurança para que apoiadores de Bolsonaro se mantenham nas quatro linhas da legalidade. Mas, no primeiro teste, ontem, a falha: PMs que bloqueavam acesso não resistiram à pressão e cederam aos manifestantes

Luana Patriolino
postado em 07/09/2021 06:00
 (crédito: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(crédito: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

Na expectativa de receber pelo menos 100 mil manifestantes na Esplanada dos Ministérios, no feriado de Sete de Setembro, o Governo do Distrito Federal (GDF) afirmou que a segurança da capital será reforçada para evitar possíveis ataques de grupos pró e contra governo. Mas, de acordo com imagens que circularam ontem nas redes sociais, o bloqueio da Polícia Militar durou pouco: ontem à noite, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro forçaram o bloqueio e as viaturas que fechavam a via não resistiram à pressão, permitindo que um grupo descesse a Esplanada — que não deveria receber carros e as pessoas, para terem acesso, teriam de ser revistadas.

O plano da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) é realizar linhas de revistas pessoais e bloqueios nas principais vias junto ao ministério e proximidades da Torre de TV. Será proibido acessar as áreas em que serão realizadas as manifestações portando objetos pontiagudos, garrafas de vidro, hastes de bandeiras e outros materiais que coloquem em risco a segurança de manifestantes e população. Também não será permitida a utilização de drones sem autorização no espaço aéreo.

Desde o último domingo, as vias de acesso na Esplanada dos Ministérios estão bloqueadas para veículos. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do DF, 13 grupos foram cadastrados pelo Núcleo de Atividades Especiais (Nucae), da SSP/DF. O ponto de encontro será a Biblioteca Nacional. De lá, seguirão pela Esplanada dos Ministérios e poderão chegar até a Avenida José Sarney, na ligação entre as vias S1 e N1. Os monumentos e prédios públicos estarão fechados com gradil e resguardados por policiais. Por questões de segurança, o acesso à Praça dos Três Poderes será restrito.

O Departamento de Trânsito (Detran-DF) e a PMDF fecharam a entrada com grades e cercas a partir das Alamedas dos Estados, pouco antes do Congresso. Na prática, isso significa que manifestantes não terão acesso a prédios como Câmara dos Deputados, Senado, Itamaraty, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal (STF). A Secretaria de Segurança afirmou que haverá reforço no policiamento desses locais.

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Monitoramento

Os eventos serão monitorados pelo Centro Integrado de Operações de Brasília (CIOB), com apoio de equipes em campo. Serão 29 órgãos, instituições e agências voltadas para segurança e fiscalização. Haverá dois espaços para as manifestações. Os locais foram negociados com os organizadores dos eventos, que se reuniram no CIOB com representantes das forças de segurança, órgãos federais e do GDF envolvidos.

Ônibus com a comitiva dos manifestantes a favor do governo estão chegando de todo país desde o último fim de semana e se fixando próximo ao Teatro Nacional. A maioria dos hotéis da área central de Brasília já está lotada desde domingo. Pelo menos 5 mil policiais deverão atuar no feriado para evitar ataques às instituições.

Já as manifestações contra o governo vão se concentrar no estacionamento da Torre de TV, a partir das 8h da manhã ao lado da Praça das Fontes. De lá, os presentes devem ir caminhando até o Memorial dos Povos Indígenas. A distância impedirá que os se encontrem no feriado. A PMDF fará a segurança do perímetro e acompanhará todo o trajeto.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) terão reforço na segurança pessoal e no prédio da instituição. Em nota, o STF afirmou que as medidas preventivas são para evitar a “mitigação de riscos, com o dimensionamento de recursos humanos e materiais, entre outros”.

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