Direitos Humanos

Damares defende veto de Bolsonaro: 'Prioridade é vacina ou absorvente?'

Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos disse que, 'na hora certa', governo vai ofertar absorventes

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, se manifestou pela primeira vez após o veto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à distribuição gratuita de absorventes para estudantes de escolas públicas e para mulheres em vulnerabilidade social. Damares defendeu Bolsonaro disse que o país precisa escolher entre "vacina e absorvente".

Damares, que esteve em um evento na cidade de Francisco Beltrão, no Paraná, disse que a prioridade no momento é a aquisição de vacinas contra a COVID-19. A ministra, para defender Bolsonaro, afirmou que governos anteriores não se preocuparam com a distribuição gratuita de absorventes.

"Hoje, a gente tem que decidir, a prioridade é a vacina ou é o absorvente? As mulheres pobres sempre menstruaram nesse Brasil, e a gente não viu nenhum governo se preocupar com isso. E agora o Bolsonaro é o carrasco, porque ele não vai distribuir esse ano", declarou Damares.

A ministra também disse que o Brasil vai distribuir absorventes "na hora certa", uma vez que o Ministério da Saúde, no momento, está dedicado a adquirir vacinas e remédios.

"É uma questão de prioridade, não vamos tirar o arroz da cesta básica para colocar o absorvente", concluiu.

Pobreza menstrual

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) publicados em maio mostram que mais de 4 milhões de mulheres vivem sem acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas. Mais de 700 mil meninas não têm banheiro ou chuveiro em casa. A pobreza menstrual, como é chamada a dificuldade de aquisição de recursos de higiene, infraestrutura e conhecimentos sobre a menstruação, afeta o desempenho escolar das estudantes brasileiras.


Segundo a ONU, uma em cada quatro jovens deixam de ir ao colégio durante o período menstrual por falta de absorventes, média 2,5 vezes superior à mundial. Com isso, as jovens perdem cerca de 45 dias de aula por ano letivo.