Paraíba

Buscando desemperrar sabatina de Mendonça, Bolsonaro afaga Alcolumbre

Segundo chefe do Executivo, nos dois anos em que Alcolumbre esteve no comando do Senado, "não teve problemas" com a Casa e aprovou "quase tudo" o que o governo precisava. "Por que eu sou atacado 24 horas por dia? Onde eu errei?", questionou Bolsonaro

Em aceno ao destravamento da sabatina de seu indicado André Mendonça ao cargo de ministro no Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Jair Bolsonaro agradeceu ao senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) nesta quinta-feira (21/10) pelos dois anos em que esteve à frente da presidência do Senado.

Na época de sua candidatura, Alcolumbre concorreu com Renan Calheiros (MDB-AL). O chefe do Executivo afirmou que caso Renan tivesse ganho o pleito seria uma "desgraça". Segundo Bolsonaro, nos dois anos em que o atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) esteve no comando da Casa, ele "não teve problemas com o Senado" e aprovou "quase tudo" o que o governo precisava. No entanto, com o demista na CJJ, agora, enfrenta resistência para a sabatina de seu indicado ao STF, o ex-AGU André Mendonça. O imbróglio já dura mais de três meses.

"Esteve lá na frente do Senado por dois anos o senador Davi Alcolumbre e quem disputou as eleições com ele para presidência em 2019? Renan Calheiros. Imagine o Renan Calheiros presidente do Senado? Que desgraça estaria o Brasil dado ao quê ele ia exigir para aprovar qualquer coisa naquela casa. Porque ele é o dono da pauta. Temos na maioria dos senadores pessoas de bem, mas não adianta você ter boa prova se o comandante não responde. O comandante é o espelho da tropa. Com Davi Alcolumbre não tive problemas no Senado. Quase tudo que nós precisamos, aprovamos lá. Eu agradeço ao Davi por esses 2 anos em que ele esteve à frente do Senado. Caso contrário, seria Renan Calheiros. Apesar de ser nordestino, nunca fez nada nem pelo seu estado de Alagoas, quem dirá pelo Brasil", disse durante evento na Paraíba, reduto petista.

Bolsonaro também aproveitou a oportunidade para atacar o PT apontando que a maioria dos ministros foi preso ou responde a processos.

"Escolhi os 22 ministros, hoje são 23. Pessoas que têm um compromisso, pessoas que têm conhecimento, vergonha na cara e que querem pensar na sua pátria. Compare os meus ministros com os ministros de governos outros que me antecederam. Em especial, o do PT. A maioria já foi para a cadeia. Grande parte responde processo, os mais variados possíveis. E tem gente que quer que esses ladrões voltem a comandar o Brasil", afirmou.

Eleições 2022

Apesar do tom de comício, Bolsonaro negou campanha eleitoral. "Ninguém veio aqui falar de eleições, ninguém veio falar de 2022, mas nós devemos nos preocupar porque, olha, senhores, não existe alegria maior de andar por todo esse Brasil e cada vez mais ver nas ruas e em reuniões, as cores verde e amarela prevalecendo. Cada vez mais, temos deixado para trás o vermelho que representa o ódio, a intriga, a divisão de classes, a corrupção e o atraso. Querer a volta desse que afundou o Brasil em corrupção, em descumprimento de legislação e em desesperança, é querer o próprio fim. Não podemos admitir que esse povo queira isso", acrescentou em referência ao PT.

Ele também lembrou a facada em período eleitoral em 2018, a qual caracterizou como "tentativa de execução"."Tivemos o 6 de setembro quando o outro lado viu que não tinha mais como nos derrotar, e tentaram me executar. Achavam que com isso eu ia desistir, que eu ia aceitar alguma proposta para ter uma boa desculpa e ir para casa", comentou.

Por fim, reclamou de ataques, questionou "onde errou" e reforçou críticas a Renan Calheiros. "Por que eu sou atacado 24 horas por dia? Onde eu errei? 'Relatório da CPI comandada por Renan Calheiros?', questionou em tom de ironia o presidente. Apoiadores na plateia gritaram "vagabundo" e Bolsonaro rebateu: "Não. Não chame o Renan de vagabundo, não. Vagabundo é elogio para ele. Não há maracutaia lá por Brasília que não tenha o nome do Renan envolvido", apontou.

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