ELEIÇÕES

Direita prepara o discurso de olho na eleição de 2022

Temendo uma possível derrota em 2022, bolsonaristas se articulam em grupos nas redes sociais não tradicionais para disseminar conteúdo radical, fora do alcance da Justiça brasileira e da mira do TSE

Israel Medeiros
Luana Patriolino
Raphael Felice
postado em 07/11/2021 06:00
Uma das principais apostas dos bolsonaristas, a um ano das eleições, é estreitar os laços e buscar apoio operacional de plataformas de direita pelas quais podem distribuir conteúdo radical -  (crédito: Dimitri Karastelev/Unsplash)
Uma das principais apostas dos bolsonaristas, a um ano das eleições, é estreitar os laços e buscar apoio operacional de plataformas de direita pelas quais podem distribuir conteúdo radical - (crédito: Dimitri Karastelev/Unsplash)

De olho nas eleições de 2022, a direita se articula para repetir os feitos do último pleito que elegeu Jair Bolsonaro como presidente da República. Em 2018, a onda da direita também mostrou força nas disputas para o Congresso. O PSL tem a segunda maior bancada na Câmara dos Deputados. Em 12 estados, os candidatos pró-Bolsonaro também saíram vencedores. Agora, o desafio da direita é emplacar as pautas conservadoras novamente e driblar a fiscalização das redes sociais que travaram uma luta com o disparo de mensagens em massa e disseminação de fake news.

Uma das principais apostas dos bolsonaristas, a um ano das eleições, é estreitar os laços e buscar apoio operacional de plataformas de direita pelas quais podem distribuir conteúdo radical, fora do alcance da Justiça brasileira. Com restrições no WhatsApp, Instagram e Facebook, os grupos fazem disparos de notícias falsas e vídeos de apoio ao presidente no Telegram e no Gettr — rede social fundada por Jason Miller, para levar o ex-presidente dos Estados Unidos (EUA) Donald Trump de volta às redes sociais, após o americano ser banido das grandes plataformas por violar os termos de uso.

O Gettr tem mais 2 milhões de seguidores, 13,5% são do Brasil. No dia 7 de setembro, Miller foi detido no Aeroporto de Brasília e levado à Polícia Federal para depor sobre a organização de atos antidemocráticos. Na passagem pelo país, o empresário foi recebido por Bolsonaro e, desde então, tem ficado muito próximo dos filhos do presidente.

Outra plataforma também tem contato com o apoio de brasileiros. A Truth Social, empresa que Trump está criando para rivalizar com redes sociais tradicionais, tem como diretor financeiro o deputado federal Luiz Phillippe de Orleans e Bragança (PSL-SP). A parceria não é de todo surpreendente: em maio, o parlamentar lançou um "livro-manifesto pela liberdade de expressão na internet" e contra as grandes empresas de tecnologia.

Na avaliação do historiador Vinícius Bivar, pesquisador do Observatório da Extrema Direita, Bolsonaro buscou construir conexão com Trump. "Desde um primeiro momento, tanto o presidente Bolsonaro quanto os filhos dele buscaram essa associação com o Donald Trump, e acabaram sendo diretamente afetados pela derrota dele, já que esperavam que ele seguisse no poder para estreitar relações com os EUA e utilizar isso para legitimar o próprio governo", ressalta.

Para o cientista político André Rosa, os radicais da extrema-direita temem uma derrota no país. "Estão com muito receio de perder esse cargo político e ter problemas jurídicos lá na frente. Esses grupos estão mais articulados para mexer até na legislação eleitoral", pontua.

Na outra ponta, a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), afirma que o objetivo é pulverizar as legendas de direita. "Estamos aguardando o presidente [Bolsonaro] definir um partido, mas sabemos que não podemos ficar todo mundo em um partido só. É preciso ter apoio em vários", ressalta. "Espero que a gente consiga ampliar o número de parlamentares de direita no Congresso, ter um Congresso mais conservador", conclui.

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