ELEIÇÕES

Pela liderança da 3ª via: PSDB define, hoje, nome do partido ao Planalto

Tarefa do escolhido será árdua: terá que se provar competitivo para recuperar o protagonismo da legenda e unir os tucanos

Jorge Vasconcellos
postado em 21/11/2021 07:00 / atualizado em 22/11/2021 12:14
 (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
(crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

A corrida sucessória entra, hoje, em uma nova etapa, com a escolha do candidato que vai representar o PSDB na eleição presidencial de 2022. Nas prévias que serão realizadas, em Brasília, um dos principais partidos do país vai às urnas rachado por disputas internas e tendo ainda dois desafios: o de recuperar o protagonismo na cena política e a busca da liderança da terceira via eleitoral.

Cerca de 44,7 mil tucanos se cadastraram para escolher entre o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto e os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS). O número de votantes corresponde a 3,4% dos 1,3 milhão de filiados.

Com as prévias, a alternativa à polarização entre Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva começa a tomar uma forma mais concreta. Mas, embora se trate de prévias, os tucanos viveram tensões típicas de uma campanha presidencial, motivadas, em grande parte, pela disputa entre os grupos de Doria e Leite.

A relação entre os dois começou a se deteriorar depois que o governador paulista encabeçou um movimento pela expulsão do deputado Aécio Neves (MG) do partido, em razão de denúncias de corrupção enfrentadas pelo parlamentar mineiro. A ofensiva — rejeitada pela Executiva Nacional do PSDB — atraiu a ira do grupo de Leite, aliado de Aécio.

O atrito mais recente entre os dois se deu depois que veio à tona que o governador gaúcho ligou para Doria, em janeiro deste ano, para pedir o adiamento do início da vacinação contra a covid-19 — solicitação que não foi atendida. O próprio Leite confirmou que tomou a iniciativa a pedido do então ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, que buscava uma ponte para que Doria fosse convencido a aderir à coordenação nacional de vacinação. Para aliados de Leite, o episódio foi divulgado pelo grupo do governador paulista.

Debandada

Mas o vencedor das prévias pode ter de conviver com uma debandada de parlamentares, o que pode diminuir mais a presença do partido no Congresso. Reservadamente, políticos do PSDB estimam que 15 dos 34 deputados federais da legenda devem pedir desfiliação na janela de transferência partidária de 2022 — período em que é permitido mudar de sigla sem perder o mandato.

O presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, reconhece que o vencedor das prévias terá a missão de unir o partido. "Essa retomada vai depender quase que totalmente da capacidade daquele que for escolhido de construir pontes. Pontes internas e, ao mesmo tempo, começar a discutir alianças com outros partidos", destacou. Aliás, os postulantes tucanos à Presidência falaram ao Correio — leia no quadro abaixo.

Araújo observa que, com as prévias, "o nome do PSDB entra com total legitimidade para liderar o processo de construção da terceira via, obviamente respeitando o conjunto de candidatos do nosso campo democrático".

"Tivemos um total de 44.700 filiados registrados em todo o Brasil. É uma adesão que jamais imaginei quando convocamos essas prévias. E isso dá ao candidato uma legitimidade e uma força muito grandes para encabeçar as discussões no campo democrático", explicou.

O nome do vencedor será divulgado ainda hoje, caso algum dos concorrentes alcance a maioria absoluta dos votos válidos. Caso isso não ocorra, haverá um segundo turno no próximo dia 28 entre os dois mais votados.

 

 

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