Nem sempre passageiros do poder

Correio Braziliense
postado em 22/11/2021 00:01

» Os vice-presidentes têm um papel inusitado na vida política do país. Entraram em cena num momento de profunda crise institucional, seja por renúncia, impeachment, doença ou divergência na condução política.

» Em 25 de agosto de 1961, Jânio Quadros renunciava à Presidência, num mal explicado evento que muitos historiadores consideram a antessala de um fracassado golpe de Estado. Seu vice, João Goulart, assumiu o comando da Nação depois de um período agitação e no qual até mesmo um parlamentarismo de ocasião foi adotado para tirar-lhe parte dos poderes. Depois de um período de turbulência, Jango foi tirado da Presidência no primeiro ato de uma ditadura de 24 anos.

» Em 31 de agosto 1969, o segundo presidente do regime militar, general Artur da Costa e Silva, foi considerado incapaz de continuar dirigindo o país por causa de um derrame cerebral. Pela lógica, assumiria o advogado e professor Pedro Aleixo, que levaria o governo pelo tempo que restava. Porém, foi impedido de fazê-lo por ser civil e por, entre outras coisas, ter-se posicionado contrariamente ao Ato Institucional nº 5. Tomou o comando do país a chamada Junta Governativa Provisória, formada pelo almirante Augusto Rademaker,
o general Aurélio de Lira Tavares e o brigadeiro
Márcio de Sousa Melo.
» No governo de João Baptista Figueiredo, seu vice, Aureliano Chaves, foi uma pedra no sapato. Ao ver Paulo Maluf ser ungido o candidato do PDS para as eleições indiretas — Aureliano e Mario Andreazza submeteram seus nomes aos convencionais do partido governista — contra Tancredo Neves, ele deixou a legenda e juntou-se a outros ex-apoiadores do último general da ditadura no projeto da criação do Partido da Frente Liberal. A partir daí, Aureliano romperia com Figueiredo e apoiaria Tancredo abertamente.

» Com a morte de Tancredo, José Sarney assume a Presidência. Entrara na chapa do colégio eleitoral para galvanizar o apoio da Frente Liberal contra Maluf e acelerar o desgaste do governo Figueiredo. Ficou os cinco anos para os quais o político mineiro foi eleito.

» Em 1992, Itamar Franco tornou-se presidente depois do impeachment de Fernando Collor, tirado do poder por causa de denúncias de corrupção. No seu governo, depois de um longo período de vários equívocos na condução da economia, conseguiu estabilizar a inflação e lançou as bases para uma moeda forte e estável — o real.

» Já Michel Temer também chegaria à Presidência por meio de um impeachment e depois de um período de forte turbulência na economia, no segundo governo de Dilma Rousseff — no qual o país mergulhou numa profunda recessão. A ex-presidente respondeu a um processo por crime de responsabilidade em função das chamadas "pedaladas fiscais".

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