Presidente, enfim, se filia ao PL dia 30

Ingrid Soares
postado em 24/11/2021 00:01

Após dois anos sem partido, o PL divulgou, ontem, uma nota confirmando que Jair Bolsonaro se filiará à sigla no próximo dia 30, feriado do Dia do Evangélico, em Brasília. Segundo a legenda, a definição da data foi fechada depois de encontro entre o presidente da República e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

Horas antes, Bolsonaro afirmou que a filiação ao PL estava "quase fechada" e deu as razões do adiamento da assinatura da ficha do partido — atribuiu ao diretório paulista a dificuldade de fechar a adesão antes.

"Tenho conversado com o Valdemar Costa Neto. Eu estava lá na região do Golfo (Pérsico) quando pedi para ele adiar a filiação, que seria dia 22. Faltava acertar o maior diretório do Brasil, que é São Paulo. Ele tem um compromisso lá com o vice-governador e tinha que arranjar uma maneira, sem quebrar a palavra dele, de resolver esse assunto. Está praticamente resolvido. Está quase fechado, mas, na política, só está fechado depois que fecha", brincou.

Os apoios apoios estaduais eram uma pedra no sapato de Bolsonaro. Em São Paulo, por exemplo, o partido estava fechando apoio a Rodrigo Garcia (PSDB), vice do governador João Doria, um dos maiores rivais do presidente. Após as discordâncias, em uma reunião realizada na semana passada Costa Neto aparou as arestas que faltavam.

O presidente deixou o PSL em 2019 depois de atritos e disputa de poder com o presidente da sigla, Luciano Bivar — agora, presidente do União Brasil, nova legenda que surgira da fusão entre o PSL e o DEM. O plano de Bolsonaro era fundar o Aliança pelo Brasil, mas, dois anos depois, a sigla não saiu do papel, pois não conseguiu coletar a quantidade mínima de assinaturas para obter o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Bolsonaro já afirmou que tem interesse em indicar metade das cadeiras do Senado a serem disputadas nas eleições de 2022, e que os escolhidos seriam "pessoas perfeitamente alinhadas conosco que vão ter uma posição conservadora, a quem interessa o destino do país". Para o PL, a chegada do presidente se torna benéfica por conta do potencial de crescimento da bancada no Congresso — o que aumentaria as verbas dos fundos partidário e eleitoral, além de conquistar mais tempo de propaganda na tevê e no rádio, no próximo ano.

Antes do PL, Bolsonaro flertou com o Patriota, mas a notícia da filiação causou um racha no partido — a ponto de Adilson Barroso ter sido sacado do comando da legenda.

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