Ataque à vacinação de crianças

Bolsonaro coloca em dúvida a eficácia da imunização, espalha fake news sobre mortes e dispara contra a Anvisa. SBP repudia declarações

Cristiane Noberto
postado em 07/01/2022 00:01
 (crédito:  Reprodução/Facebook)
(crédito: Reprodução/Facebook)

O presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar a vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra a covid-19, distorceu dados sobre mortes nessa faixa etária referentes à doença e criticou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por ter recomendado a aplicação das doses. Ele aproveitou para repetir que a filha, Laura, de 11 anos, não será imunizada e recomendou aos pais que questionem os verdadeiros interesses dos "tarados por vacinas".

"Você tem conhecimento de criança de 5 a 11 anos que tenha morrido de covid? Eu não tenho. Desconheço, mas, com toda certeza, existe algum moleque que morreu em função de covid, mas tinha algum problema de saúde grave ou tinha outra comorbidade", afirmou o presidente, em entrevista à TV Nordeste. "Você, pai, tem de saber que a Pfizer não se responsabiliza por efeitos colaterais. E a própria Anvisa, que aprovou, também diz lá que a criança pode sentir, logo depois da vacina, falta de ar e palpitações (...) Veja os possíveis efeitos colaterais. E você vai vacinar seu filho contra algo que o jovem, por si só, a possibilidade de morrer é quase zero? O que está por trás disso? Qual é o interesse da Anvisa por trás disso? Qual é o interesse das pessoas taradas por vacina? Não se deixe levar por propaganda."

Dados do próprio Ministério da Saúde desmentem Bolsonaro. De acordo com a pasta, 308 crianças na faixa etária de 5 a 11 anos morreram por causa da doença.

À noite, numa live, Bolsonaro voltou à carga contra a agência. "A Anvisa virou um outro poder no Brasil. É a dona da verdade em tudo", disparou. Ele também levantou dúvidas novamente sobre a eficácia da imunização. "Está comprovado que quem está totalmente vacinado pode contrair o vírus, pode transmitir também. Vacina é algo que ainda desperta muita desconfiança."

Em nota, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) repudiou as declarações e reiterou a necessidade de imunizar as crianças contra o vírus. "A população não deve temer a vacina, mas, sim, a doença que ela busca prevenir, bem como suas complicações, como a covid longa e a Síndrome Inflamatória Multissistêmica, manifestações que consolidam a necessidade da imunização do público infantil", enfatizou a entidade. "A vacinação desse público é estratégia importante para reduzir o número de mortes por conta da covid-19 nessa faixa etária, no Brasil, cujos indicadores são mais expressivos do que em outras nações."

A SBP destacou que "até o momento, os estudos realizados apontam a eficácia e a segurança da vacina aplicada na população pediátrica". "A vacina previne a morte, a dor, o sofrimento, as emergências e a internação em todas as faixas etárias. Negar esse benefício às crianças sem evidências científicas sólidas, bem como desestimular a adesão dos pais e dos responsáveis à imunização dos seus filhos é um ato lamentável e irresponsável, que, infelizmente, pode custar vidas."

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