REFORMA TRABALHISTA

Lula se reúne com espanhóis para discutir reforma trabalhista

A reunião aconteceu mesmo depois de reações negativas de políticos e do mercado sobre a intenção petista em revogar a reforma trabalhista

Cristiane Noberto
postado em 11/01/2022 21:21
Os espanhóis destacaram que o debate sobre a legislação no país contribuiu para o aumento do salário mínimo na Espanha, em cerca de 38% -  (crédito:  Ricardo Stuckert)
Os espanhóis destacaram que o debate sobre a legislação no país contribuiu para o aumento do salário mínimo na Espanha, em cerca de 38% - (crédito: Ricardo Stuckert)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou na tarde desta terça-feira (11/01) com representantes do governo e legislativo espanhol e do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) para discutir a revisão da reforma trabalhista de 2012 no país europeu. Estiveram presentes também seis centrais sindicais brasileiras.

O ministro da Inclusão, Migrações e Seguridade Social da Espanha, José Luis Escrivá, destacou o amplo debate social e político para a elaboração da reforma espanhola. O político apontou que a precarização das leis trabalhistas leva à redução da qualificação da força de trabalho. De acordo com o chefe da pasta, este seria o motivo de atrasar a geração de emprego e renda de qualidade. “É uma mentira que a competitividade de um país seja conseguida reduzindo salários. Se consegue com salários melhores combinados com a qualificação da mão de obra”, afirmou.

Os espanhóis ainda destacaram que o debate sobre a legislação contribuiu para ajustar uma remuneração justa e o resultado foi o aumento do salário mínimo na Espanha, em cerca de 38%.

Além de Escrivá, estiveram presentes Borja Suárez Corujo, diretor-geral da Organização da Securidade Social, das centrais sindicais espanholas, Jesús Galego, da UGT, e Cristina Faciaben, das Comissões Obreras. Seis centrais sindicais brasileiras foram representadas com Sérgio Nobre, da CUT; Miguel Torres, da Força Sindical; Ricardo Patah, da UGT; René Vicente, da CTB, e Moacyr Roberto Tesch Auersvald, da Nova Central Sindical, e Edson Carneiro Índio, da Intersindical.

A reunião aconteceu mesmo depois de reações negativas de políticos e do mercado sobre a intenção petista em revogar a reforma trabalhista, aprovada no governo de Michel Temer (MDB), em 2015. A presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), esteve presente no encontro e reafirmou a decisão petista contra a legislação. "O PT votou contra a reforma do governo golpista que tirou direitos, achatou salários, dificultou o acesso à Justiça do Trabalho e precarizou o emprego. Hoje está provado que ela não gerou empregos e prejudicou o trabalhador. O país precisa rever esta reforma e é muito positivo que nossa proposta tenha acendido o debate", disse.

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