O número de crianças mortas por covid é 'insignificante', diz Bolsonaro

Presidente voltou a colocar empecilhos à vacinação infantil, mas aproveitou conversa com apoiadores para tratar do preço dos combustíveis

/Estado de Minas
postado em 22/01/2022 23:26 / atualizado em 22/01/2022 23:32
 (crédito:  Clauber Cleber Caetano/PR))
(crédito: Clauber Cleber Caetano/PR))

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse, neste sábado (22/1), que o número de crianças mortas em virtude da COVID-19 é "insignificante". Ele deu a declaração em Eldorado (SP), onde vivia a mãe, Olinda, enterrada nessa sexta-feira (21).


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"Se você analisar, 2020, 2021, mesmo na crise do coronavírus, ninguém ouviu dizer que estava precisando de UTI infantil. Não teve. Não tivemos. Eu desconheço criança baixar no hospital. Algumas morreram? Sim, morreram. Lamento profundamente, tá? Mas é um número insignificante e tem que se levar em conta se ela tinha outras comorbidades também", afirmou Bolsonaro.

Embora o presidente tenha falado em dados "insignificantes", a Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI), grupo técnico do Ministério da Saúde, apontou, em dezembro, que 1.449 crianças já haviam morrido em virtude do coronavírus.

O presidente chegou a falar sobre a necessidade de apontar os efeitos colaterais das injeções. "Tem que ser falado o quê por ocasião da vacinação? Quem for aplicar a vacina? Olha, tá aqui teu filho, de 5 anos de idade. Ele pode ter palpitação, dores no peito e falta de ar. Vai ser dito para ele", falou, mencionando o ofício do Supremo Tribunal Federal (STF) ao Ministério Público pedindo a fiscalização de pais antivacina.

Nesta semana, ministros estiveram em Lençóis Paulistas, no mesmo estado, para visitar uma menina que sofreu parada cardíaca por causa de uma doença rara - bolsonaristas, porém, levantaram a tese de que ela havia sofrido o incidente por ter recebido um imunizante antiCOVID-19.
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Na quinta-feira (20/1), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a aplicação da CoronaVac, ligada ao Instituto Butantan, em jovens de 6 a 11 anos. O imunizante será incorporado à campanha de vacinação infantil.

Após Bolsonaro chamar de "insignificante" o número de mortes de crianças por causa da COVID-19, a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) reagiu e o chamou de "desgraçado". A parlamentar deu a resposta neste sábado (22/1), horas após o presidente da República dizer, em Eldorado (SP), que o público infantil não precisou de muitos leitos e atendimento complexo nos hospitais.

Ainda hoje, Jair Bolsonaro prometeu zerar os impostos federais do diesel caso o Congresso autorize a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pensada pelo governo federal para diminuir o PIS/Cofins sobre os combustíveis.

"A PEC é autorizativa. Eu garanto para você: se a PEC passar, no segundo seguinte à promulgação, eu zero o imposto federal do Diesel no Brasil".

 

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