Polêmica

Monark defende em podcast a criação de partido nazista no Brasil

O apresentador disse no Flow podcast que as pessoas deveriam ter o direito de ser antissemita

Helena Dornelas*
postado em 08/02/2022 15:36 / atualizado em 08/02/2022 15:49
 (crédito: Reprodução )
(crédito: Reprodução )

O apresentador do Flow Podcast, Monark, defendeu, no programa desta segunda-feira (7/2), a criação de um partido nazista no Brasil. O programa recebia como convidados os deputados federais Kim Kataguiri (DEM-SP) e Tabata Amaral (PSB-SP).

A fala do apresentador aconteceu durante uma discussão sobre regimes radicais de esquerda e direita, e Monark saiu em defesa do “direito” de ser antissemita: “A esquerda radical tem muito mais espaço que a direita radical, na minha opinião. As duas tinham que ter espaço. Eu acho que tinha de ter o partido nazista reconhecido por lei.”

A deputada federal rebateu as falas do apresentador citando o holocausto na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. “O nazismo é contra a população judaica, você coloca uma população inteira em risco", explicou Tabata.

Monark continuou defendendo que a organização formal de um partido nazista estaria amparada pela liberdade de expressão. “Se o cara quiser ser antijudeu, eu acho que ele deveria ter o direito de ser.”

Em determinado momento, na discussão, Kim Kataguiri diz achar errado o fato da Alemanha ter criminalizado o nazismo.

Crime e repúdio 

Além de absurdas, as falas do apresentador podem ser enquadradas no artigo 1º da Lei 7.716/89, onde é considerado crime fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas e objetos de divulgação do nazismo.

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) divulgou uma nota condenando a fala do youtuber.

"O nazismo prega a supremacia racial e o extermínio de grupos que considera "inferiores". Sob a liderança de Hitler, o nazismo comandou uma máquina de extermínio no coração da Europa que matou 6 milhões de judeus inocentes e também homossexuais, ciganos e outras minorias. O discurso de ódio e a defesa do discurso de ódio trazem consequências terríveis para a humanidade, e o nazismo é sua maior evidência histórica.”

A Federação Israelita de São Paulo também se manifestou: "Nós, da Federação Israelita do Estado de São Paulo, repudiamos de forma veemente esse discurso e reiteramos nosso compromisso em combater ideias que coloquem em risco qualquer minoria. Manifestações como essa evidenciam o grau de descomprometimento do youtuber com a democracia e os direitos humanos.”

"A um só tempo, desconhecer a história do povo judeu, e a natureza de um princípio constitucional essencial [que é o da liberdade de expressão], muitas vezes deturpado por aqueles que insistem em propagar um discurso que incita o ódio contra minorias" acrescentou.

Pedido de desculpas

Nesta terça-feira (8), porém, Monark publicou em suas redes sociais um vídeo onde pede desculpas. "Eu errei, a verdade é essa. Eu tava muito bêbado e fui defender uma ideia que acontece em outros lugares do mundo, nos Estados Unidos, por exemplo, mas eu fui defender essa ideia de um jeito muito burro, eu estava bêbado, eu falei de uma forma muito insensível com a comunidade judaica. Peço perdão pela minha insensibilidade."

“Eu peço também um pouco de compreensão, são quatro horas de conversa, a gente já tava bêbado. Fui insensível sim, errei na forma com que eu me expressei.”

Perda de patrocinadores

Assim como aconteceu quando o apresentador falou frases racistas, os patrocinadores começaram a deixar o programa.

A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ) rompeu contrato com o Flow, que transmitiria o Campeonato Carioca.

Empresas como Puma, iFood e Mondelez contaram ter pedido para que sua marca fosse retirada das ações do podcast, mesmo não sendo atuais patrocinadoras.

 

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