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Alckmin: Lula é a esperança

No ato de filiação ao PSB, o ex-tucano rasga elogios ao ex-presidente, mas não cita data para anúncio da chapa com o petista

Victor Correia Raphael Felice Ingrid Soares
postado em 24/03/2022 00:01
 (crédito: ANTONIO MOLINA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO)
(crédito: ANTONIO MOLINA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO)

O ex-governador paulista Geraldo Alckmin assinou, ontem, a ficha de filiação ao PSB e abriu caminho para se tornar vice na chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro. Ele se esquivou, porém, de cravar uma data para que a aliança com o petista seja anunciada. "Agora, cabe aos partidos conversarem", driblou. "Converso com o presidente Lula. Não tem nenhuma data definida nem pressa para isso."

O ato de filiação de Alckmin lotou a sede da Fundação João Mangabeira, em Brasília, com integrantes não só do PSB como do PCdoB e do PT — a presidente nacional do partido, Gleisi Hoffmann, acompanhou a cerimônia. O ex-tucano elogiou a nova sigla "pela decisão de apoiar o presidente Lula para presidente da República". "É ele. Nós temos que ter os olhos abertos para enxergar, a humildade para entender que ele é, hoje, aquele que melhor reflete e interpreta o sentimento de esperança do povo brasileiro", enfatizou no discurso. "Aliás, ele representa a própria democracia, porque é fruto da democracia. Não chegaria lá (ao Planalto) do berço humilde que sempre foi se não fosse o processo democrático."

Alckmin disse que pretende colaborar tanto na campanha quanto num eventual governo. "Já fui vice-governador e governador. Sei os limites da competência e da responsabilidade das tarefas. Minha disposição é de ajudar, se esse for o caminho", frisou. "O presidente Lula, com os pés no chão, tem colocado que é necessário ter uma aliança para vencer a eleição e uma aliança para governar."

O ex-tucano disse se sentir em casa no PSB. "A social-democracia e o socialismo têm uma origem comum das lutas trabalhistas e sociais", argumentou. "Alguns podem estranhar. Eu disputei com Lula em 2006, fomos ao segundo turno, mas nunca colocamos em risco a democracia. A disputa era em outro nível. Não tenho dúvida de que o presidente Lula, se Deus quiser, eleito, vai reinserir o Brasil no cenário mundial", declarou.

Ele também fez críticas veladas ao presidente Jair Bolsonaro (PL). "Vivemos uma situação excepcional no Brasil, assombrando a população com violência e intolerância. É impressionante o retrocesso civilizatório em que estamos vivendo", frisou. "Uma economia parada, com inflação, especialmente de comida. Absurdo. É hora de desprendimento, convergência, união para o Brasil poder retomar a sua atividade."

História

Gleisi Hoffmann afirmou que a filiação de Alckmin "tem um imenso significado para o futuro do Brasil". "O PT e o PSB têm uma trajetória comum na luta pela democracia e na construção de um país melhor", destacou. "Juntos, fizemos história neste país e, juntos, vamos fazer história novamente em torno da candidatura do presidente Lula. Precisamos encerrar esse tempo de retrocesso."

No seu discurso, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, afirmou que o momento atual não se trata de disputa entre esquerda e direita. "Trata-se de uma disputa entre a democracia e o arbítrio, entre a sociedade e a barbárie", emendou.

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