Uma saída "a la Hargreaves"

Correio Braziliense
postado em 26/03/2022 00:01
 (crédito: Sérgio Lima / AFP)
(crédito: Sérgio Lima / AFP)

A coordenação da campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) quer que o ministro da Educação, Milton Ribeiro, deixe o governo o quanto antes. Embora o chefe do Executivo tenha dito que põe "a cara toda no fogo" por Ribeiro, o Centrão e líderes da bancada evangélica dizem que a situação é "insustentável" porque Bolsonaro perde cada vez mais o discurso de que não há corrupção no governo.

Líderes evangélicos apresentaram ontem ao presidente uma proposta que prevê licença para Ribeiro enquanto durarem os inquéritos abertos pela Polícia Federal. A ideia se inspira no caso de Henrique Hargreaves, que foi ministro da Casa Civil no governo Itamar Franco. Acusado de envolvimento em corrupção no escândalo dos anões do Orçamento, Hargreaves se afastou do governo para fazer sua defesa, em 1993, e voltou ao cargo 101 dias depois, inocentado.

Na avaliação de evangélicos aliados de Bolsonaro — apoiada agora por parte do Centrão — a saída "a la Hargreaves" poderia ser repetida por Ribeiro como forma de dar um voto de confiança ao ministro.

A licença chegou a ser defendida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), padrinho da indicação de Ribeiro; pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), presidente da Frente Parlamentar Evangélica; e pelo pastor Silas Malafaia.

Para o comitê da reeleição, Bolsonaro não pode ser "contaminado" por mais um desgaste no momento em que começa a ganhar fôlego nas pesquisas e tem visto diminuir a diferença para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu maior adversário.

O argumento da equipe de campanha é de que o presidente precisa sair rapidamente dessa agenda negativa porque não tem mais o tempo que teve, por exemplo, durante a crise provocada pela pandemia da covid-19. No ano passado, ele foi alvo de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI), que pediu o indiciamento dele por expor os brasileiros à infecção quando resistiu em comprar vacinas.

A saída de Ribeiro na reforma ministerial, que deve ocorrer na próxima semana, é outra ideia que chegou a ser cogitada no Planalto. Nesse caso, ele deixaria o MEC com o discurso de que vai concorrer a deputado federal. Antes, porém, precisaria se filiar a algum partido, o que, no auge da crise, não é tarefa fácil.

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