Polêmica

Celso de Mello avalia como "totalitária" proibição de protestos no Lolla

O magistrado fez uma alusão à obra 1984, de George Orwell. "Impressionante e atual, na expressão de Orwell, a manifestação mais distópica da mais alta Corte Eleitoral", afirmou

Michel Medeiros - Especial para o Correio
postado em 29/03/2022 06:00
 (crédito: Nelson Jr. /SCO/STF)
(crédito: Nelson Jr. /SCO/STF)

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello classificou como "totalitária" e "despótica" a decisão do ministro Raul Araújo, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que proibiu protestos contra o presidente Jair Bolsonaro (PL), durante os shows do festival Lollapalooza.

O magistrado fez uma alusão à obra 1984, de George Orwell. "Impressionante e atual, na expressão de Orwell, a manifestação mais distópica da mais alta Corte Eleitoral", afirmou. "O TSE, com essa recentíssima decisão no caso do espetáculo Lollapalooza, ter-se-ia transformado em instrumento da vocação totalitária do 'Grande Irmão (Big Brother)? E passou, na novilíngua do Estado totalitário, a observar (e a respeitar) o lema autocrático 'Guerra é paz. Liberdade é escravidão. Ignorância é força'?", completou.

Celso de Mello recordou a privação da liberdade e do livre pensamento, destacadas na obra. "O poder totalitário do Estado é sempre um poder cruel e cínico, que proíbe o cidadão de pensar e de livremente expressar o seu pensamento e que o submete a um regime de opressão, interditando o dissenso, vedando o debate e impedindo a livre circulação de ideias."

Para concluir, na nota encaminhada à revista Veja, o jurista deixou claro seu repúdio ao entendimento de Araújo. "Merece o repúdio dos que respeitam o regime democrático e a liberdade de manifestação do pensamento !."

Big Brother

O livro 1984, escrito pelo autor George Orwell, conta a história de um homem de 39 anos que vive em uma sociedade distópica, num mundo dividido em três grandes potências: Laurásia, Lestásia e Oceania, onde vive Smith.

Na obra, todos os habitantes destas sociedades são monitorados por câmeras, as teletelas, como descritas no livro, e totalmente submissos à vontade do Grande Irmão (Big Brother), que representa o Partido.

O governo autoritário baseia-se em fundamentos contraditórios, enxergando a guerra como essencial à manutenção da sociedade e fonte da paz. A vida com condições sub-humanas como sinônimo de liberdade e, principalmente, a ignorância como significado de força.

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