Verbas e Bolsonaro: razões para atração

Correio Braziliense
postado em 03/04/2022 00:01

O ingresso de mais deputados no PL se deu, principalmente, por causa da filiação do presidente Jair Bolsonaro à sigla. Mas teve ainda outro motivo: a possibilidade de ser aquinhoado com um naco do chamado Orçamento Secreto, de mais de R$ 16 bilhões. Nesse cenário, se o chefe do Poder Executivo terá uma máquina ainda maior e mais azeitada para a disputa à reeleição, os parlamentares do partido — e do Centrão — poderão ostentar realizações nos redutos eleitorais em função da fartura de recursos a que terão acesso.

Na avaliação do analista político Melillo Dinis, o Centrão sempre teve influência na política brasileira, mas, no governo Bolsonaro, tem ditado as regras do jogo. "A força é muito grande desde sempre. Há governos em que o Centrão é necessário, e tem outros que nem tanto. Na atual configuração, há um presidencialismo de submissão. O Centrão assumiu a ponta direita e a esquerda do time de Bolsonaro", comparou.

Sobre o crescimento do PL, Dinis ressalta que seria normal a filiação de políticos que já tinham os mesmos ideais. "Não houve uma migração de parlamentares que não fosse uma mudança familiar. O crescimento tem a ver com a força do presidente em arranjos regionais, que estabeleceram a atração de parlamentares que já estavam no espectro do Centrão. Uma movimentação dentro da mesma família", disse.

Segundo o analista político Antônio Augusto de Queiroz, o Toninho do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), o objetivo dos novos filiados ao Centrão é, sobretudo, a sobrevivência política. "Estão buscando partidos que tenham garantias, para que possam sobreviver politicamente", afirmou.

Segundo Toninho, "para evitar o risco de não renovar o mandato, esses parlamentares têm buscado partidos que garantam recursos do fundo eleitoral para a campanha deles, que contem com grandes puxadores na campanha de votos e que disponham de estrutura. Mas isso não significa um alinhamento automático com Bolsonaro", acredita.

Alguns aliados do presidente chegaram a criticar a aproximação do presidente e do governo com o Centrão. Tal como os ex-ministros Abraham Weintraub (Educação) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores). Para rebatê-los, Bolsonaro tem afirmado que "sempre foi Centrão" e que tem "se dado bem" com os políticos do grupo. (LP)

Tags

CONTINUE LENDO SOBRE