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Palanque de ameaças no Sul

Bolsonaro festeja compra de armas pela população, ataca processo eleitoral e nega denúncias de corrupção no Executivo

Ingrid Soares
postado em 09/04/2022 00:01
 (crédito: Isac Nobrega)
(crédito: Isac Nobrega)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) aproveitou uma serie de eventos, ontem, no Rio Grande do Sul, para acenar à sua base conservadora, atacar o processo eleitoral e negar suspeitas de corrupção no governo. Além de dizer que conta com um exército de civis armados por ter liberado a compra de artefatos de fogo e munições, repetiu que haverá contagem de votos no pleito de outubro e desdenhou das pesquisas que apontam a liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Palácio do Planalto.

Segundo Bolsonaro, ele "reagirá a qualquer ditador de plantão que queira roubar a liberdade do seu povo". "Nós facilitamos a compra de arma de fogo por parte do povo brasileiro. Nos últimos anos, temos dobrado a venda de armas de fogo no Brasil. Eu sempre digo a vocês: povo armado jamais será escravizado. Reagirá a qualquer ditador de plantão que queira roubar a liberdade do seu povo. Temos, também, ampliado e muito a quantidade de CACs (colecionadores, atiradores esportivos e caçadores) pelo Brasil. Hoje ultrapassam 600 mil e podem comprar praticamente todo tipo de armamento. É um estoque, é uma reserva. É o nosso maior exército que nós temos, que é o povo brasileiro", disse.

Contagem de votos

De acordo com o presidente, os votos das próximas eleições serão "contados" — apesar de a emenda para o voto impresso ter sido sepultada na Câmara dos Deputados. Ele voltou a atacar, embora sem citar nomes, os integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"Por ocasião das eleições de outubro, os votos serão contados. Não somos obrigados a acreditar em duas ou três pessoas, como se fossem os donos da verdade. A verdade está com o seu povo. E o maior exército do Brasil, que são vocês, está conosco também", afirmou.

Bolsonaro disse, também, que "forçam barra" sobre denúncias de corrupção em seu governo. Sem citar o mais recente episódio, o do gabinete paralelo de pastores no Ministério da Educação — suspeitos de cobrar propina de prefeituras para a liberação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) —, voltou a dizer que em seu governo não teve malversação de recursos públicos.

"Completamos três anos e três meses, por mais que queiram forçar a barra, sem corrupção", afirmou. Ontem, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) conseguiu o número mínimo regimental de assinaturas para a instalação de uma CPI para investigar o escândalo de corrupção no MEC (leia na página 5).

Ao lado de Bolsonaro estavam os dois pré-candidatos apoiados por ele ao governo gaúcho — o senador Luís Carlos Heinze (PP) e o deputado Onyx Lorenzoni (PL). Também participaram do palanque o vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos), que tentará uma das vagas do estado em disputa pelo Senado, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e a primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

O presidente afirmou, ainda, que "quem acredita em pesquisa, acredita em Papai Noel também" — crítica ao resultado das sondagens eleitorais que mostram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na frente da corrida presidencial.

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