CURTIDAS

Correio Braziliense
postado em 09/04/2022 00:01

Governo monta discurso para inflação

Preocupado com a inflação de 1,62% registrada em março, o presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua equipe estão quebrando a cabeça para tentar tirar esse prato indigesto do colo presidencial. A ideia é mostrar que, nos países da Europa, a situação está pior. A energia, por exemplo, hoje custa 10 vezes mais do que custava antes da pandemia e da guerra na Ucrânia. Para isso, aliados do governo têm conversado muito com embaixadores europeus em busca de dados. Evair de Melo (PP-ES) esteve esta semana com os diplomatas da República Tcheca e saiu convencido de que o Brasil, apesar das dificuldades, está melhor do que muitos outros. "Se a gente explicar, o povo vai entender que Bolsonaro não tem nada a ver com isso. O problema é mundial", diz.

Outra frente que o governo vai adotar é lembrar que Lula já disse por aí que manteria Roberto Campos Neto no comando do Banco Central. Ou seja, não tem mágica na hora de lidar com a economia. O discurso é para ultrapassar esse período pré-campanha.

A avaliação, porém, é a de que, quando a campanha estiver fervendo, lá para meados de setembro, a situação estará melhor. Os economistas, entretanto, têm dúvidas a esse respeito. O tempo, como sempre, será o senhor da razão.

Dona Lu Alckmin na área

Dentro do PT, já tem gente defendendo que a ex-primeira-dama de São Paulo Lu Alckmin seja candidata a vice-governadora na chapa encabeçada por Fernando Haddad. Só tem um probleminha: tem gente no PT adorando a candidatura de Márcio França (PSB) ao governo paulista.

Noves fora...

É que se França desistir de concorrer ao governo, a tendência é uma parcela expressiva do eleitorado dele correr para o governador-candidato Rodrigo Garcia (PSDB) ou para o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos). Assim, Haddad tem alguém de peso que o apoia num segundo turno, caso passe para a segunda rodada. Ou vice-versa — França terá alguém que o apoia, caso ultrapasse Haddad ao longo dos próximos meses.

Se pode lá, pode cá

Quando perguntado sobre a filiação de d. Lu Alckmin e a possibilidade de ela ser candidata a vice na chapa, França, que de bobo tem nada, responde que ela pode ser uma "surpresa" como candidata a governadora. Ou seja, o PSB não pretende abrir mão da candidatura própria ao governo paulista.

A noiva da vez

O fato de o União Brasil não querer ter candidato ao Planalto fez com que todos os pré-candidatos a presidente busquem seus principais líderes. ACM Neto, por exemplo, esteve com João Doria esta semana. E procurará outros integrantes da legenda. Sabe como é: ali, as discussões estão em aberto.

Basta um Google/ Os bolsonaristas não acreditam que a chapa Lula-Alckmin, anunciada ontem, vá fazer bonito nas redes sociais e terá ainda dificuldades no mundo real. Até porque, o que cada um disse do outro ao longo dos anos, e as duas campanhas em que Alckmin enfrentou o PT, está registrado e será relembrado. Essa história de um chamar o outro de "companheiro" terá discurso contrário na campanha.

E tem mais/ No PT, embora Lula e a presidente Gleisi Hoffmann tenham garantido que a chapa será chancelada, a ala mais radical do partido promete vaiar Alckmin na convenção, lá na frente.

Veja bem/ A aposta é a que quem vota em Lula, não vai desistir de votar por causa de Alckmin. E quem não vota, pode até pensar em, mesmo a contragosto, chancelar o petista. Falta combinar com o eleitor, cada vez mais cético em relação à política.

Vão ter que me engolir/ O ex-juiz Sergio Moro acaba de abrir um site no qual conta sua história e, diariamente, registrará suas andanças. Sinal de que não desistiu nem vai desistir da candidatura presidencial, ainda que seu partido não queira.

E o Jair Renan, hein?/ A entrevista ao SBT em que o filho 04 (foto) disse que foi a uma reunião no Ministério do Desenvolvimento, mas "entrou mudo e saiu calado", foi vista por aliados do governo como um erro estratégico. Filhos sem mandato de presidente da República têm de tomar distância regulamentar de repartições públicas. Só devem visitar o gabinete do pai e em dia de solenidades oficiais.

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