Presidente defende orçamento secreto

Correio Braziliense
postado em 12/04/2022 00:01

O presidente Jair Bolsonaro (PL) admitiu que ofereceu cargos ao Centrão em troca de apoio no Congresso. "Para aprovar qualquer coisa, em especial uma PEC (proposta de emenda à Constituição), passa por eles. Agora, nosso relacionamento não é como no passado", alegou. "Alguns cargos foram dados para partidos de centro, sim, não vou negar isso aí. Mas temos filtros."

O chefe do Executivo também afirmou que as emendas do orçamento secreto, conhecidas como RP9, "ajudam a acalmar" o Parlamento. As declarações foram dadas, ontem, em entrevista gravada a um podcast. "Essa outra parte, de emenda, ajuda a acalmar o Parlamento. O que eles querem, no final das contas, é mandar recursos para sua cidade. Não tenho nada a ver com isso", frisou.

Bolsonaro disse que o orçamento não pode ser chamado de secreto por ser publicado no Diário Oficial da União (DOU). Porém, as indicações não são públicas. "Quando fala em orçamento secreto, é mau-caráter, falta de caráter por parte da imprensa, é publicado no Diário Oficial da União. Eles têm acesso ao que é feito com esses aproximadamente R$ 15 bilhões", argumentou.

Ele voltou a afirmar que não há corrupção no seu governo. "Não tem o que investigar aqui, não fazemos nada de errado e se, porventura, aparecer algo de errado no governo, a gente colabora com a investigação. Até agora, não apareceu absolutamente nada", afirmou.

"Suspeita de corrupção de compra de ônibus para educação. Não foi feita a licitação. 'Ah, ia fazer'. Não foi feita a licitação. O tempo todo assim. É um governo que se prima pelo combate à corrupção na prática", completou. Bolsonaro, no entanto, evitou falar sobre denúncias de corrupção no Ministério da Educação envolvendo pastores e o ex-dirigente da pasta, Milton Ribeiro.

Bolsonaro também retomou os ataques a magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Disse que, se depender do ministro Edson Fachin, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será eleito para o Planalto. O chefe do Executivo se referiu ao fato de o magistrado ter anulado condenações do petista na Lava-Jato.

"Não tem cabimento essa anulação do processo dele. Ele não foi julgado inocente. O ministro Fachin, que está presidindo o TSE agora, diz que ele deveria ser julgado em Brasília ou em São Paulo, e não lá em Curitiba. E anulou três condenações dele. Até a última, que foi no STF. E ele (Lula) voltou. Então, o Fachin o tirou da cadeia, o tornou elegível e está presidindo o TSE." (IS)

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