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35 mil Viagras são "nada"

Foi o que disse Bolsonaro em café da manhã com evangélicos, em meio a críticas à divulgação do episódio pela imprensa

ingrid soares luana patriolino
postado em 14/04/2022 00:01
 (crédito:  Reprodução)
(crédito: Reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) deu pouca importância à investigação sobre a compra, pelas Forças Armadas, de mais de 35 mil unidades de Viagra. Afirmou, ontem, que tal quantidade de comprimidos, usados para o tratamento da disfunção erétil, "não é nada".

"As Forças Armadas compram Viagra para combater a hipertensão arterial e, também, as doenças reumatológicas. Foram 30 e poucos mil comprimidos para o Exército, 10 mil para a Marinha e eu não peguei da Aeronáutica, mas deve perfazer o valor de 50 mil comprimidos. Com todo respeito, isso não é nada. Obviamente, (o remédio é) muito mais usado pelos inativos e pensionistas", afirmou, durante café da manhã com pastores evangélicos da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil e parlamentares da base do governo no Palácio da Alvorada. O encontro não constava na agenda oficial do presidente.

No encontro estiveram, ainda, a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, a ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos Damares Alves e o deputado e pré-candidato ao governo de Goiás, Vitor Hugo (PL).

Exagero

A divulgação do caso — levantado pelo deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) no Portal da Transparência e no Painel de Preços do governo federal — foi amplificada pela imprensa, segundo Bolsonaro. Para o presidente, trata-se de uma campanha contra ele e o governo, pois "apanha todo dia".

"Apanhei muito por ter gasto alguns milhões com leite condensado. E o leite condensado era para a Presidência da República. No final das contas, dava alguns milhões de latas de leite condensado para usar aqui", disse, lembrando do episódio em que foi cobrado por causa do gasto de R$ 15 milhões do governo federal com o produto.

Em nota, o Ministério da Defesa defendeu o uso do Viagra nos casos de Hipertensão Arterial Pulmonar — uma doença que, segundo especialistas, afeta mais mulheres do que homens. "A aquisição de sildenafila visa o tratamento de pacientes com Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP). Esse medicamento é recomendado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento de HAP", justificou.

Investigação

Independentemente das justificativas dadas pelas três forças e pelo Ministério da Defesa sobre a compra do Viagra, o Tribunal de Contas da União (TCU) abriu um processo para investigar a negociação. A apuração foi aberta após denúncia feita por Elias Vaz, que apontou "desvio de finalidade".

O parlamentar alerta, ainda, para a possibilidade de superfaturamento de 143% na aquisição do medicamento. O ministro Weder de Oliveira foi designado relator do caso no TCU.

Dados do processo de compra das Forças Armadas mostram que 5.120 comprimidos de 25mg foram obtidos pelo preço unitário de R$ 3,65, em 7 de abril de 2021, para atender à demanda da Marinha. Mas, no dia 14 do mesmo mês, de acordo com o processo aberto pelo Exército, cada comprimido saiu por R$ 1,50.

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