Visita no primeiro mês de governo

Correio Braziliense
postado em 15/04/2022 00:01

Os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos estão no centro de um suposto escândalo de corrupção no Ministério da Educação (MEC) após o vazamento de áudio de uma reunião da pasta, onde o ex-ministro Milton Ribeiro — demitido após a crise — afirmar que uma das prioridades para empenho de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) eram "todos os amigos do pastor Gilmar", por "um pedido especial do presidente da República".

Dias após a repercussão das gravações, divulgadas pela Folha de S.Paulo, Ribeiro disse haver errado ao citar o nome de Bolsonaro e que o presidente não estaria envolvido. A Advocacia Geral da União (AGU), em defesa do chefe do Executivo, justificou a citação como um "erro de expressão".

Os religiosos controlavam a agenda e a liberação de verbas do Ministério da Educação durante a gestão de Milton Ribeiro. A dupla é suspeita de facilitar o acesso de prefeitos a verbas do MEC em troca de propina, inclusive em barra de ouro — no último dia 5, três dirigentes municipais confirmaram ter recebido pedidos de vantagem indevida numa audiência da Comissão de Educação do Senado.

Milton Ribeiro, que é pastor da igreja Presbiteriana, renunciou ao cargo de ministro em 28 de março, após reportagens do Estadão revelarem pedidos de propina em barras de ouro e até por meio da impressão de Bíblias elaboradas por Gilmar Santos e Arilton Moura.

De acordo com a resposta do Planalto, ontem, Arilton Moura esteve no Planalto pela primeira vez em 16 de janeiro de 2019, no primeiro mês do governo, para um compromisso no GSI, chefiado pelo ministro Augusto Heleno. Já Gilmar, que é o líder da Assembleia de Deus Cristo para Todos, esteve no local pela primeira vez em 21 de fevereiro, para uma reunião na Casa Civil — à época, a pasta era comandada por Onyx Lorenzoni, hoje pré-candidato do PL ao governo do Rio Grande do Sul. O último registro de ambos no Palácio foi em 16 de fevereiro deste ano, na Casa Civil, já sob o comando de Ciro Nogueira (Progressistas).

Mesmo sem qualquer vínculo com o Ministério da Educação ou outro órgão público, Arilton Moura e Gilmar Santos costumavam participar de encontros de autoridades do MEC com prefeitos de todo o Brasil — tanto na sede do ministério, em Brasília, quanto em cidades do interior do país. (RF com Agência Estado)

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